Um Pix de R$ 1,1 mil para a mulher do ex-secretário de Turismo e então vereador de Pontal do Araguaia (MT), Rauflis Oliveira Mello, é citado nas investigações que resultaram no afastamento dele e do servidor público Alessandro dos Santos Oliveira, durante a Operação Cenário Montado, que investiga fraudes de processos licitatório.
Segundo relatório técnico da Polícia Civil, após o pagamento de uma nota fiscal de R$ 4.467 referente à locação de tendas para um evento público, parte do valor teria sido redistribuída.

A chave Pix vinculada ao CPF da mulher de Rauflis foi enviada por mensagem, e o comprovante da transferência aparece anexado ao material analisado pelos investigadores.
Para a Polícia Civil, o repasse “suscita questionamentos quanto à natureza e finalidade da transação”, já que não há justificativa formal para pagamento à familiar de agente público.
O empresário Renan Carlos Rodrigues da Silva, representante da empresa GR Produções & Eventos, também é investigado no inquérito que apura o caso.
A análise do celular de Renan revelou trocas de mensagens entre ele, Rauflis e Alessandro. Em um dos trechos relacionados a pregão, aparece:
📲 Trechos das conversas analisadas pela Polícia Civil
Para os investigadores, os diálogos indicam possível combinação prévia para favorecimento em processos licitatórios e divisão de valores.
🚨 O que diz a operação
A Operação Cenário Montado apura a atuação de uma associação criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública, incluindo fraudes em licitações, manipulação de pesquisas de preços, simulação de concorrência e superfaturamento em contratos para fornecimento de serviços e estruturas para eventos.
De acordo com a decisão judicial, Rauflis, quando atuava no Executivo municipal, teria centralizado demandas internas, selecionado previamente fornecedores e encaminhado orçamentos direcionados que serviriam de base para termos de referência das licitações.
Já Alessandro é apontado como responsável por conduzir etapas administrativas para favorecer determinados grupos empresariais, com indícios de recebimento de vantagens indevidas.
Afastamento
Uma decisão é da 2ª Vara Criminal de Barra do Garças e foi cumprida pela Polícia Civil no dia 26 de janeiro. Na ocasião, Raufillis e Alessandro foram afastados das funções.
Além do afastamento, a Justiça proibiu os dois de acessarem prédios públicos, sistemas administrativos e de manterem contato com pessoas ligadas aos fatos investigados.
🗣 Defesa do vereador
Em nota, Rauflis negou irregularidades. Ele afirmou que a medida tem caráter exclusivamente preventivo e não implica reconhecimento de culpa.
Segundo o vereador, os processos licitatórios da pasta obedeceram à legislação e foram conduzidos por pregoeiro e setores competentes, com segregação de funções. Raufillis também declarou que jamais utilizou o cargo para interferir nas investigações e reafirmou respeito às instituições e confiança no esclarecimento dos fatos.