A Câmara Municipal de Corumbá decidiu suspender por 45 dias o mandato do vereador Elinho Junior (Progressistas) por quebra de decoro parlamentar. A decisão foi tomada em plenário na noite de segunda-feira (23), após análise de relatório da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.

O procedimento foi instaurado no dia 9 de janeiro, em razão de um episódio ocorrido em 27 de dezembro de 2025, quando o parlamentar se envolveu em uma discussão com um vendedor ambulante, na área central de Corumbá.
Na ocasião, o vereador teria discutido com o trabalhador e danificado o isopor utilizado por ele para armazenar produtos. O caso foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia Civil do município por meio de Termo Circunstanciado de Ocorrência.
Conforme o registro policial, a conduta foi, em tese, enquadrada nos crimes de ameaça, injúria e dano. O documento aponta que não houve agressão física.
O próprio parlamentar reconheceu ter danificado o objeto durante a discussão verbal e realizou o ressarcimento integral do prejuízo material causado ao ambulante. O caso foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal, por se tratar de infrações de menor potencial ofensivo.
Análise da Comissão
A Comissão de Ética considerou, entre outros pontos, as provas reunidas, a inexistência de violência física, o ressarcimento do dano, a repercussão do episódio para a imagem da Casa de Leis e os princípios da legalidade e proporcionalidade.
O prazo para conclusão do procedimento, segundo o Regimento Interno, poderia chegar a 90 dias, mas o relatório foi apresentado em 45 dias. Com a decisão, o vereador ficará afastado das funções parlamentares pelo período determinado.
Entenda o caso
Ao Primeira Página, o ambulante José Elizeu Lara Navarros, de 41 anos, contou que trabalha vendendo salgados há quatro meses nas ruas da cidade, para obter uma renda e ajudar a família.
No dia do ocorrido, José relatou que estava retornando à residência onde mora, quando parou a bicicleta que usa para transportar o isopor contendo os alimentos, em frente a uma lanchonete localizada na rua Delamare.
Porém, à reportagem, ele afirmou que não tinha a intenção de vender os salgados no local, apenas que estava conversando com a esposa pelo celular.
“Saiu a esposa dele [do vereador] toda apurada falando: ‘você não pode vender aqui’. Começou a falar um monte de asneira. Eu falei: ‘dona a rua é pública, eu posso vender onde eu quiser. Pela lei, que eu saiba, a rua não é proibido vender’. Ela disse: ‘vamos ver, vou chamar a polícia’. Eu falei para ela chamar que eu vou esperar. Ela voltou e falou que chamou o marido”, contou.José Elizeu
Durante a confusão entre o vendedor e a mulher, o vereador Elinho Júnior aparece bastante alterado, mandando José sair do local. Nesse momento, o ambulante começou a gravar a forma com que foi tratado.
“Eu que sou o dono. […] Você não vem encher o saco da minha mulher .[…] Se eu te pegar aqui você vai apanhar”, disse o vereador, enquanto empurra a bicicleta do vendedor.
Na gravação, a esposa do vereador aparece e diz para ele “apagar esse vídeo”. O ciclista atravessa a rua, mas o casal continua o seguindo, até o instante em que o político quebra o isopor contendo alguns salgados.
Procurada pela reportagem, a assessoria do vereador encaminhou um vídeo, na qual Elinho se retrata sobre o ocorrido. Na gravação, o político afirma que em “um momento de raiva”, perdeu a cabeça e “errou na forma de agir”.