Fávaro pede cautela diante de conflito no Irã e diz que governo apenas monitora impacto no agro

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), afirmou que o governo federal acompanha com cautela os possíveis impactos do conflito envolvendo o Irã sobre a agropecuária brasileira. Segundo ele, ainda não há medidas emergenciais para auxiliar produtores.

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A declaração foi dada nesta sexta-feira (6), durante conversa com a imprensa após o lançamento do programa Acredita Sebrae, em Cuiabá.
“Eu acho que é um momento de cautela. Não precisamos criar pavor. O Irã é um grande parceiro comercial da agropecuária brasileira, o maior comprador de milho do Brasil. Também o Brasil é muito dependente de nitrogenados importados, portanto, tem correlação no custo de produção”, afirmou.
De acordo com o ministro, o cenário já provoca apreensão no mercado, mas o governo avalia que ainda é cedo para qualquer intervenção. “Já há algum temor no mercado, mas eu gostaria de tratar isso com bastante cautela”, disse.
Fávaro destacou que a maior parte dos produtores que plantam a segunda safra de milho já adquiriu insumos, o que reduz impactos imediatos. Segundo ele, a safra de verão, que começa a ser plantada a partir de setembro, ainda tem prazo para a compra de insumos.
“O momento é de observação. O governo vai acompanhar isso ao lado dos produtores”, declarou.
O conflito no Oriente Médio pode elevar custos da produção agrícola no Brasil, segundo economistas. A agricultura brasileira depende de fertilizantes importados e parte da matéria-prima vem da região. Após o início da guerra, as cotações desses produtos já registraram alta no mercado internacional.
Outro fator é o transporte marítimo. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, uma das principais rotas comerciais do mundo, levou navios a redirecionarem rotas, elevando custos de frete.
A região também é fornecedora de petróleo, o que pode pressionar o preço do diesel, combustível utilizado em máquinas agrícolas e no transporte de alimentos.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que o Oriente Médio é a quarta maior região fornecedora de fertilizantes químicos ao Brasil. Europa, Ásia e África aparecem à frente.
No mercado global, o peso da região é maior. O Oriente Médio responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia e por 28% das vendas externas de amônia, insumos utilizados na produção de fertilizantes. Economistas apontam que oscilações na região costumam impactar diretamente os preços internacionais.

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