Reajuste do querosene de aviação deve pressionar companhias aéreas

Foto: Divulgação
Com vigência a partir desta quarta-feira (1º), o novo preço do querosene de aviação (QAV) da Petrobras representa o maior reajuste registrado em um único mês no setor de aviação civil brasileiro em anos recentes. O combustível, que já havia subido 9,4% em março, acumula agora uma escalada que pode causar impacto e companhias aéreas podem rever estratégias de preços e operações.
A alta anunciada pela Petrobras é a terceira do ano para o querosene de aviação e a mais abrupta. Somada ao reajuste de março, ela transforma completamente a estrutura de custos das companhias aéreas brasileiras: o combustível — que historicamente representava entre 30% e 36% das despesas operacionais — passa a ocupar cerca de 45% do total, uma fatia que compromete margens já estreitas num setor sensível a variações externas.
Para as empresas do setor, absorver esse aumento sem repassar ao passageiro é, na prática, inviável. O QAV é um insumo sem substituto imediato na aviação comercial, o que retira das companhias qualquer poder de barganha frente à variação de preço.
A raiz do problema está no mercado internacional. O barril de petróleo tipo Brent, referência global, saltou de aproximadamente US$ 70 para a casa dos US$ 115 desde a escalada do conflito no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos e Israel em operações contra o Irã. Nesta quarta-feira, o Brent recuava ligeiramente, negociado a US$ 102,10 — ainda um patamar historicamente elevado que mantém a pressão sobre todos os derivados, incluindo o QAV.
Vale destacar que a maior parte do querosene consumido no Brasil é produzida internamente, mas a precificação da Petrobras acompanha o comportamento do mercado externo — prática conhecida como paridade internacional de preços. Isso significa que, mesmo sem depender de importações, o consumidor brasileiro sente os efeitos de tensões geopolíticas do outro lado do mundo.

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