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Gallo também defendeu medidas estruturais de proteção à economia brasileira, como o reforço dos biocombustíveis, pois segundo ele, o aumento da mistura do biodiesel no diesel ajudaria a reduzir a exposição do país à volatilidade internacional do petróleo e a amortecer parte da pressão sobre custos logísticos e produtivos.
“Os biocombustíveis fazem do Brasil mais independente para enfrentar uma crise energética desse porte. Há até uma demanda que já foi protocolada pelo Sindicato Nacional dos Produtores de Biocombustíveis, em especial do biodiesel, para aumentar no diesel para 17%. Hoje nós estamos com o B15 para ir para B17, quer dizer, a participação de petróleo diminui em 2% e aumenta a de biodiesel. Isso a gente conseguiria, de algum modo, atenuar o custo da volatilidade e do aumento de preços do óleo diesel”, afirmou ao Olhar Direto.
A defesa feita por Gallo parte de um cenário que já mudou no Brasil. Desde 1º de agosto de 2025, a mistura obrigatória de biodiesel no diesel passou de 14% para 15%, o chamado B15, após decisão do Conselho Nacional de Política Energética. Em meio à disparada do petróleo com a guerra no Oriente Médio, o setor passou a defender novo avanço para o B17 como forma de reduzir a dependência do diesel fóssil importado.
Além da frente energética, Gallo avaliou que a guerra também escancarou a vulnerabilidade de estruturas digitais instaladas em regiões conflagradas e disse que o Brasil pode transformar esse cenário em oportunidade por reunir energia abundante, matriz limpa e estabilidade geopolítica.
“Eu tenho certeza de que os data centers são uma política fundamental de processamento de dados, sobretudo na era da informação, dos dados e da inteligência artificial. O Brasil pode se beneficiar também disso, de nós atrairmos ainda mais data centers para cá, porque a gente tem energia em abundância, energia limpa e energia barata, porque é uma energia hidrelétrica, energia solar e energia eólica. E, mais do que isso, nós temos segurança de que não vamos entrar numa guerra iminente com os nossos vizinhos.”
A avaliação do secretário ganhou tração depois de uma sequência de ataques na região do Golfo. A Reuters informou que a Amazon Web Services reportou danos em instalações nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein após ataques com drones, com impacto sobre serviços em nuvem e sobre empresas clientes. O episódio reforçou o debate sobre risco geopolítico para operações digitais críticas em áreas de conflito.
Gallo disse que o Brasil pode usar justamente a combinação entre segurança institucional e matriz energética limpa para se vender como destino alternativo para esse tipo de investimento, num momento em que grandes empresas buscam reduzir exposição a regiões instáveis.
“Uma guerra nunca é positiva, sobretudo onde tem vítimas civis. Uma guerra é sempre lamentável, começa como um grande fracasso humano. Mas, do ponto de vista comercial, a gente pode assistir a esse reposicionamento de investimentos relevantes em data centers”, disse.
O pano de fundo internacional também ajuda a sustentar a tese. A Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos informou nesta semana que o Brent fechou a US$ 94 por barril em 9 de março, com forte alta puxada pela queda dos embarques no Estreito de Ormuz. A mesma agência lembra que o estreito é o principal gargalo do petróleo na Ásia e que quase um terço de todo o petróleo transportado por via marítima passa por ali.

Com guerra no Irã, Gallo vê janela para biodiesel e data centers no Brasil
O secretário de Fazenda de Mato Grosso, Rogério Gallo, afirmou que a guerra no Irã pode abrir uma janela econômica para o Brasil ao reforçar a importância dos biocombustíveis e expor a vulnerabilidade de data centers instalados em regiões conflagradas. Na avaliação dele, o país pode sair da crise mais protegido na área energética e ainda ganhar espaço na disputa por investimentos em infraestrutura digital.
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