A irrigação foi tema principal da etapa final da Missão Técnica Sistema Famato/Senar MT aos Estados Unidos, durante agenda na Universidade de Nebraska-Lincoln A comitiva, formada por produtores, presidentes de sindicatos rurais e lideranças do agro mato-grossense, conheceu experiências de gestão da água que podem contribuir para o avanço da agricultura irrigada em Mato Grosso com segurança hídrica e base técnica.
Na palestra conduzida pelo professor Ivo Zution, pesquisador brasileiro vinculado à Universidade de Nebraska, foram apresentados dados sobre a trajetória do estado norte-americano, referência em irrigação por pivô central. A expansão começou com força na década de 1970, quando a tecnologia se tornou comercialmente viável e impulsionou a abertura de milhares de poços. O crescimento acelerado, porém, também deixou aprendizados importantes sobre planejamento, controle e qualidade da água.
“O principal ensinamento de Nebraska é que irrigação precisa de dado, monitoramento e transparência. Quando se mede bem, é possível produzir mais e reduzir conflitos sobre o uso da água”, destacou o professor.

Atualmente, Nebraska organiza a gestão das águas subterrâneas por meio dos Natural Resources Districts, os NRDs, distritos locais responsáveis por acompanhar poços, vazão, disponibilidade hídrica e qualidade da água. O modelo é baseado em informações públicas e decisões técnicas, o que permite mais previsibilidade para produtores e órgãos reguladores.
Para o superintendente da Famato, Imea e AgriHub, Cleiton Gauer, a experiência reforça a necessidade de Mato Grosso avançar na construção de uma base sólida de informações para ampliar a irrigação com segurança.
“O Nebraska é cinco vezes menor que Mato Grosso, mas irriga cerca de 20 vezes mais. O ponto central é como eles organizam a informação, a disponibilidade da água, o licenciamento e o manejo para garantir o uso no futuro”, afirmou.
Cleiton também ressaltou que o debate sobre irrigação precisa ser guiado por ciência, planejamento e dados confiáveis. “O que vimos aqui é que as decisões passam pela pesquisa, pelo fornecimento de dados e por políticas públicas lastreadas em informação, e não em achismos”, completou.
Durante o diálogo com o professor, os participantes também discutiram o potencial de Mato Grosso para expandir a agricultura irrigada. Segundo os dados apresentados, o estado pode avançar de forma significativa nessa área, desde que o crescimento seja acompanhado por estudos sobre aquíferos, monitoramento contínuo, regras claras e integração entre setor produtivo, governo, universidades e órgãos ambientais.

O presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, avaliou que a irrigação é uma pauta estratégica para o futuro da produção no estado e deve ser tratada com responsabilidade.
“Mato Grosso tem potencial para ampliar a irrigação, mas esse avanço precisa vir com segurança, responsabilidade e base técnica. O que vimos em Nebraska mostra que é possível produzir mais quando há organização, pesquisa e diálogo com o produtor”, afirmou.
Entre os presidentes de sindicatos rurais, a avaliação foi de que o modelo norte-americano pode contribuir para o debate em Mato Grosso, especialmente em temas como outorga, licenciamento e acesso a informações confiáveis sobre água.
Para Rafael Bilibio, presidente do Sindicato Rural de Vera, a principal lição está na aproximação entre pesquisa e realidade produtiva. “Precisamos aproximar a universidade da demanda real do produtor e fazer com que o produtor aceite esses dados e aplique no campo para melhorar o negócio”, disse.
O presidente do Sindicato Rural de Rondonópolis, Beto Torremocha, destacou que a irrigação pode ser decisiva para dar mais estabilidade à produção mato-grossense. “Quando o produtor tem segurança para investir, ele consegue planejar melhor. A irrigação, com dados e regras claras, pode trazer mais previsibilidade para quem está no campo”, avaliou.
Já Valdomiro Schulz, presidente do Sindicato Rural de Gaúcha do Norte, afirmou que a missão mostrou a importância de buscar soluções adaptadas à realidade de cada região. “O que vimos aqui precisa ser analisado dentro da realidade de Mato Grosso. Cada município tem suas características, mas todos precisam de informação técnica para tomar decisão com segurança”, finalizou.


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