O senador acrescenta que haverá conversas para ouvir sugestões. Os aliados poderão vender seu peixe, expor argumentos e traçar cenários. Ele próprio admite que vai dar conselhos —e advogará por um nome de centro-direita.
Flávio justifica a prerrogativa de o ex-presidente decidir sozinho. “A palavra final é do Bolsonaro. O capital político, os votos, são dele e é ele quem escolhe para quem vai entregar.”
A atitude contraria o centrão. Partidos de centro-direita gostariam que Bolsonaro declinasse da candidatura ainda neste ano, caso não recupere os direitos políticos até dezembro.
O argumento usado é dar tempo para o substituto projetar seu nome nacionalmente. Flávio não considera necessária a antecipação da saída do ex-presidente da disputa porque vê em Bolsonaro o capital político para decidir a eleição.
Bolsonaro ganhará a eleição. Se ele não concorrer, ganha quem ele apoiar. Bolsonaro elege você [aponta para o repórter], elege ele [aponta para o assessor de imprensa], elege até um poste.
Senador Flávio Bolsonaro

Sem medo de repetir o PT
Esperar até a data-limite repete a estratégia do PT em 2018. Naquele ano, Lula estava preso e impedido de participar da corrida presidencial. Fernando Haddad, seu vice, virou candidato e perdeu.
Flávio vê diferenças significativas para a tática dar certo desta vez. Ele afirma que o cenário político era negativo para o PT em 2018. A Operação Lava Jato havia levado Lula para a cadeia sob a acusação de corrupção.
O senador afirma que no ano que vem o PT também chega desgastado à eleição. Ele sustenta a projeção dizendo que vários setores estão descontentes com o governo:
- Empresários reclamam dos juros altos;
- Setor financeiro está pessimista com os gastos elevados;
- População sente os efeitos da inflação.
A fraqueza política do governo também entra na conta. O senador cita as dificuldades de articulação do Planalto com o Congresso para aprovar projetos que servirão de bandeira nas eleições.
Não há ilusão de que o governo será ignorado pelo Legislativo. Mas a leitura é que a Câmara e o Senado, ambos dominados pelo centrão, aprovarão um número reduzido de propostas prioritárias para o governo.
Sem entregas, sem votos. Flávio considera que Lula não terá realizações e marcas suficientes para mostrar nos palanques em 2026 e assim obter votos para sua reeleição.

Isolamento político
Flávio ainda menciona o desembarque de potenciais aliados do PT nas eleições. Ele lembrou que no mês passado o presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), gravou vídeo e concedeu entrevistas com críticas a Lula e a seus ministros.
A atitude de Paulinho seria um aperitivo de futuros rompimentos. Também contabiliza a recusa de partidos em firmar alianças. Reportagem do UOL revelou que o centrão não aceitou vincular o recebimento de cargos na reforma ministerial a fechar alianças para 2026.
Flávio considera que o PT chegará isolado à eleição. Não haverá sustentação política, apoio de empresários nem de economistas. Por fim, a inflação terá corroído o prestígio de Lula com o eleitorado de menor renda.
Que saudade do meu ex
O senador diz não acreditar que Bolsonaro será preso. A previsão contraria a expectativa de políticos e juristas em Brasília, que veem o ex-presidente virando réu e sendo condenado por tentativa de golpe de Estado.
Na opinião de Flávio, nem uma eventual prisão prejudicaria Bolsonaro. Ele afirma que a maioria da população discorda de que tenha havido tentativa de intervenção militar e, por isso, desacredita as investigações da Polícia Federal.
O raciocínio do senador é que o cenário econômico vai se impor à situação jurídica de Bolsonaro. Com o PT desacreditado, os eleitores vão se voltar ao antagonista de Lula. “Quem pode derrotar Lula é Bolsonaro.”

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