Quase 90% das residências nos Estados Unidos possuem ar-condicionado, enquanto na Europa onde os verões estão aquecendo duas vezes mais rápido do que no restante do mundo, esse número fica mais próximo de 20%

Os aparelhos de ar-condicionado fazem parte do dia a dia de quase todo mundo nos Estados Unidos, mas atravessar o oceano muda totalmente essa figura. Um levantamento recente mostra que a Europa enfrenta verões que esquentam duas vezes mais rápido que a média global, só que a população de lá ainda resiste muito na hora de instalar esse tipo de equipamento em casa.

Qual é o tamanho da diferença cultural e estrutural entre os dois lados?

A disparidade entre as duas regiões é gigantesca quando olhamos para a quantidade de lares equipados com refrigeração. Nos Estados Unidos, o negócio virou quase um item obrigatório de sobrevivência após a expansão das cidades no pós-guerra, principalmente nas áreas mais abafadas do sul.

Já as capitais europeias historicamente nunca precisaram se preocupar com isso porque os verões costumavam ser bem amenos. As casas antigas foram erguidas com paredes grossas e janelas pensadas para segurar o frio do inverno, o que hoje virou uma armadilha que retém o mormaço dos dias quentes.

O que os números revelam sobre a presença desse equipamento nas casas?

Olhar os dados oficiais ajuda a entender como cada país lida com as altas temperaturas de um jeito próprio. Órgãos internacionais como a Agência Internacional da Energia apontam cenários bem distintos de consumo.

Abaixo separei os percentuais de moradias que contam com essa estrutura para refrescar o ambiente:

Região ou País Casas com Refrigeração Situação Atual da Infraestrutura
Estados Unidos 90% Consumo consolidado e presente na maioria das moradias
Europa (média geral) 20% Uso ainda muito baixo na maior parte do continente
Itália 56% Subiu rápido após o ano de 2003 e consome um terço da energia da União Europeia
Alemanha 18% População mantém forte resistência e segue a média baixa do continente

A falta de estrutura para refrescar os ambientes internos tem cobrado um preço bastante alto e preocupante na Europa. A Organização Mundial da Saúde calcula que o calor severo tira a vida de mais de 175.000 pessoas anualmente na região europeia.

As noites que não baixam de 25 graus impedem o corpo de descansar e acumulam um estresse térmico perigoso, afetando principalmente os idosos isolados. Para contrapor essa realidade, pesquisas da revista científica The Lancet indicaram que, no ano de 2019, cerca de 195.000 mortes de idosos foram evitadas no mundo graças ao uso correto desses aparelhos.

Por que os europeus pensam duas vezes antes de comprar aparelhos de ar-condicionado?

Existe um dilema ecológico e financeiro bem complexo que faz as pessoas segurarem a mão na hora de ir às compras. A energia elétrica no território europeu custa caro e as redes de transmissão sofrem forte pressão com o processo de transição energética atual.

Além disso, o peso na sustentabilidade do planeta também entra na balança na hora da escolha dos consumidores. Veja os principais motivos para essa barreira de compra:

  • Os sistemas de resfriamento respondem por 4% das emissões globais de gases estufa.
  • O impacto ambiental do setor equivale ao dobro de toda a aviação mundial.
  • O funcionamento dos motores joga ar quente na rua e piora o clima das grandes cidades.
  • As redes elétricas locais correm risco de sobrecarga nos dias de pico de consumo.
A diferença na quantidade de ar-condicionado entre as casas nos Estados Unidos e na Europa e os impactos das ondas de calor.
A diferença na quantidade de ar-condicionado entre as casas nos Estados Unidos e na Europa e os impactos das ondas de calor.

Como o mercado e o comportamento estão mudando nos últimos anos?

Mesmo com toda a resistência cultural e as regras rígidas de preservação histórica de fachadas, o cenário de vendas começou a se movimentar por pura necessidade. O Reino Unido, por exemplo, viu o total de residências adaptadas dobrar em apenas três anos, alcançando a marca de quatro milhões de lares prevenidos.

No último mês de junho, os estoques de lojas físicas simplesmente zeraram na França por conta do calor extremo que tomou conta do comércio. O grande desafio agora é incentivar o uso de modelos eficientes alimentados por energia solar para evitar que o próprio remédio contra o mormaço acelere o aquecimento global.



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