Cientistas encontram planta com capacidade de produzir partículas de ouro

As partículas de ouro observadas pelos cientistas não surgem de uma planta, mas da atividade do fungo Fusarium oxysporum em ambientes que já contêm o metal. O organismo dissolve pequenas quantidades de ouro e volta a depositá-las sobre seus filamentos em escala microscópica.

A descoberta envolve realmente uma planta?

A descoberta envolve um fungo filamentoso, não uma planta. O Fusarium oxysporum vive em solos de diferentes regiões e inclui linhagens conhecidas por causar doenças agrícolas, embora o exemplar estudado tenha chamado atenção por interagir com ouro.

O uso popular da palavra “planta” vem da aparência de seu micélio e da associação com organismos cultiváveis. Biologicamente, porém, os fungos formam um reino próprio e não produzem o elemento químico a partir do nada.

Cientistas encontram planta com capacidade de produzir partículas de ouro
Cientistas encontram planta com capacidade de produzir partículas de ouro

Como o fungo produz partículas de ouro?

O fungo libera substâncias capazes de oxidar o ouro metálico, tornando parte dele solúvel. Em seguida, reações de redução e precipitação formam novas partículas microscópicas, que ficam aderidas às hifas, os filamentos que compõem sua estrutura.

Portanto, o organismo reorganiza ouro já existente no ambiente. Ele não transforma terra comum em metal precioso, nem cria átomos de ouro; sua atividade participa de um ciclo biogeoquímico que movimenta e concentra o elemento no solo.

O mecanismo pode ser resumido em quatro etapas:

Contato das hifas com partículas de ouro presentes no solo

Liberação de compostos envolvidos na oxidação do metal

Formação temporária de espécies dissolvidas de ouro

Precipitação de nanopartículas sobre os filamentos do fungo

Quais dados explicam a descoberta?

O estudo foi publicado em 23 de maio de 2019 na revista Nature Communications. Pesquisadores analisaram solos próximos à mina de Boddington, na Austrália Ocidental, e identificaram uma linhagem do fungo associada à transformação química do ouro.

A equipe também observou que os fungos revestidos pelo metal cresceram mais e se espalharam mais rapidamente que aqueles sem interação com ouro. A vantagem biológica ainda não está totalmente esclarecida, mas indica que o processo não é apenas uma deposição passiva.

Os dados centrais mostram o alcance real do achado:

Dado
Leitura
Consequência

Publicação em 2019
Nature Communications

O fenômeno foi documentado por análises geológicas e microbiológicas

Diferenciar pesquisa de promessa comercial

Escala microscópica
Partículas aderidas às hifas

O ouro não forma pepitas visíveis ou colhíveis no cultivo

Evitar cultivo doméstico para extração

Crescimento acelerado
Vantagem ainda investigada

A interação pode favorecer a expansão do fungo no solo

Aprofundar estudos em ambientes auríferos

O processo pode substituir a mineração tradicional?

O processo ainda não substitui minas, escavações ou usinas de beneficiamento. As quantidades observadas são microscópicas, e o fungo depende de uma fonte de ouro disponível para mobilizar e precipitar o metal, o que impede qualquer produção doméstica autônoma.

O potencial mais próximo está na prospecção mineral e na recuperação de resíduos com pequenas concentrações de ouro. A CSIRO estuda se a presença desses fungos pode indicar depósitos subterrâneos e reduzir perfurações exploratórias desnecessárias.

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Por que essa capacidade interessa aos cientistas?

A capacidade interessa porque amplia o conhecimento sobre a circulação do ouro próximo à superfície terrestre. Um metal considerado pouco reativo pode ser dissolvido, transportado e precipitado com participação de organismos vivos, alterando a distribuição de partículas no ambiente.

O achado também aproxima microbiologia, geologia e mineração de baixo impacto. Antes de qualquer aplicação industrial, porém, pesquisadores precisam medir rendimento, segurança e repetibilidade, além de separar linhagens úteis daquelas capazes de provocar doenças em plantações.



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