O takahē, ave incapaz de voar e exclusiva da Nova Zelândia, foi reencontrado nas montanhas de Fiordland em 1948, após quase 50 anos sem registros confirmados. Décadas de manejo elevaram a população a mais de 500 indivíduos, embora a espécie continue ameaçada.
Qual ave reapareceu depois de quase meio século?
A espécie é o takahē da Ilha Sul, de nome científico Porphyrio hochstetteri. Ele pertence à família dos ralídeos, possui plumagem azul e verde, pernas vermelhas robustas e asas que não permitem voo, usadas principalmente em exibições durante disputas e acasalamento.
O Departamento de Conservação da Nova Zelândia o descreve como o maior ralídeo vivo incapaz de voar. Um adulto pode pesar entre 2,3 e 3,8 quilos e viver mais de 16 anos em ambiente selvagem.

Como ocorreu a redescoberta nas montanhas?
O último registro aceito antes do desaparecimento havia ocorrido em 1898. Convencido de que algumas aves poderiam ter sobrevivido, o médico Geoffrey Orbell estudou relatos, pegadas e mapas até concentrar as buscas nas remotas Montanhas Murchison, acima do lago Te Anau.
Em 20 de novembro de 1948, Orbell e seus companheiros encontraram dois exemplares em um vale de vegetação subalpina. As aves foram capturadas temporariamente para medições e fotografias, depois liberadas, encerrando a ideia de que a espécie havia desaparecido definitivamente.
Por que o takahē desapareceu de quase todo o território?
Vestígios mostram que o takahē já ocupou áreas extensas da Ilha Sul, do nível do mar às montanhas. A redução de campos nativos, a caça e a chegada de mamíferos introduzidos diminuíram sua distribuição até restar uma população isolada em Fiordland.
Arminhos atacam adultos, ovos e filhotes, enquanto cervos competem pelas gramíneas usadas como alimento. O problema ficou evidente em 2007, quando uma explosão populacional de arminhos reduziu pela metade o grupo existente nas Montanhas Murchison.
Ameaça
Impacto
Resposta
Arminhos
Predação de aves, ovos e filhotes
Controle intensivo de predadores
Cervos
Competição por alimento e habitat
Manejo das populações introduzidas
Poucos indivíduos
Risco genético e reprodutivo
Pareamento e transferência controlados
Como a população voltou a crescer?
A redescoberta iniciou um dos programas de conservação de espécies ameaçadas mais antigos da Nova Zelândia. Equipes passaram a proteger ninhos, incubar ovos, criar filhotes, formar casais geneticamente adequados e transferir aves para ilhas e santuários sem predadores.
O Burwood Takahē Centre tornou-se o núcleo do trabalho reprodutivo. A criação manual foi gradualmente substituída por casais que chocam e alimentam os próprios filhotes, enquanto monitoramento, testes genéticos e novas solturas sustentam o crescimento anual da população.
Ano
Marco registrado
1948
Redescoberta nas Montanhas Murchison
1985
Criação do centro de reprodução de Burwood
2016
População nacional alcança 300 aves
2023
Total chega ao marco de 500 indivíduos
Onde essas aves vivem atualmente?
Parte dos takahē permanece nas Montanhas Murchison, mas o programa criou populações em Kahurangi, Upper Whakatipu, ilhas livres de predadores e santuários cercados. Em 2025, mais da metade dos indivíduos já vivia em áreas classificadas como selvagens.
Novos territórios precisam oferecer gramíneas adequadas, espaço para casais e baixa presença de predadores. Como cada família pode defender uma área extensa, a recuperação depende de abrir locais capazes de receber aves sem ultrapassar a capacidade do ambiente.
- Montanhas Murchison, em Fiordland;
- Gouland Downs, no Parque Nacional Kahurangi;
- vales Greenstone e Rees, em Upper Whakatipu;
- ilhas protegidas e santuários espalhados pelo país;
- centros de reprodução usados para formar novos casais.

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O takahē está fora de perigo?
A população já ultrapassou 500 aves, corrigindo a ideia de que ainda apenas se aproxima desse número. Mesmo assim, o total continua pequeno, e o takahē permanece classificado na Nova Zelândia como ameaçado e nacionalmente vulnerável.
O avanço depende de manejo contínuo, controle de predadores, diversidade genética e disponibilidade de habitat. A redescoberta de 1948 evitou o desaparecimento silencioso, mas a sobrevivência futura ainda exige que novas populações consigam se manter e reproduzir em liberdade.

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