Um túnel montado em terra firme e depois afundado no canal vai criar uma ligação seca entre duas cidades separadas pela água. O túnel Santos-Guarujá, apresentado pelo Ministério de Portos e Aeroportos como o primeiro imerso da América Latina, tem investimento estimado em R$ 6,8 bilhões e operação prevista para 2031. A estrutura ficará sob o canal do Porto de Santos.
O que será construído entre Santos e Guarujá?
O projeto terá 1,5 km de extensão total, com 870 metros instalados sob o canal portuário. Ele vai unir as margens sem impedir a passagem dos navios que entram e saem do Porto de Santos.
A página do Ministério de Portos e Aeroportos sobre o túnel explica que a travessia atual depende de balsas, embarcações menores ou de uma rota rodoviária mais longa. A espera pela balsa pode variar de 15 minutos a mais de 1 hora, conforme as condições do canal.

Como será a estrutura do túnel imerso?
A estrutura vai atender carros, caminhões, transporte sobre trilhos, pedestres e ciclistas. O túnel não será aberto por uma máquina dentro do solo, pois seus grandes módulos de concreto serão produzidos fora da água.
O site oficial do Túnel Santos-Guarujá reúne as principais medidas e os usos previstos no projeto:
1
Extensão total
O sistema terá 1,5 km, com 870 metros na parte imersa sob o canal.
2
Tráfego rodoviário
Serão 3 faixas em cada sentido para carros, ônibus e caminhões.
3
Transporte sobre trilhos
O projeto reserva espaço para a passagem do Veículo Leve sobre Trilhos.
4
Pedestres e ciclistas
A ligação também terá passagem protegida para quem cruza a pé ou de bicicleta.
Como os módulos serão instalados no fundo do canal?
Os módulos serão fabricados em uma doca seca, área fechada que pode ser inundada, levados flutuando até o canal e afundados em uma vala preparada no leito. Esse método reduz a necessidade de escavar um túnel inteiro dentro da rocha ou do solo.
O processo apresentado pelo Governo Federal divide a instalação em etapas:
- Preparação: equipes abrem uma trincheira no fundo do canal e montam a base.
- Fabricação: grandes peças de concreto são construídas e testadas dentro da doca seca.
- Transporte: a doca recebe água e os módulos flutuam até o ponto de instalação.
- Imersão: sensores orientam a descida e guinchos aproximam as peças para a união.
- Proteção: areia e pedras cobrem a estrutura para protegê-la de impactos e âncoras.

Quando as obras avançam e em que fase está o projeto?
Em 2026, o projeto está na etapa de preparação técnica e financeira. O contrato da parceria público-privada foi assinado em 28 de janeiro de 2026 com o grupo português Mota-Engil.
O cronograma divulgado pelo Governo de São Paulo prevê as seguintes fases:
Concluído
Leilão e contrato
O leilão ocorreu em 2025 e o contrato da PPP foi assinado em 2026.
Em curso
Projetos e preparação
A fase de 2026 reúne projetos, estudos e decisões sobre canteiros e doca seca.
Previsto
Obras e fabricação
Entre 2027 e 2028 devem começar os canteiros, a dragagem e os módulos.
Previsto
Imersão e montagem
A instalação dos módulos no canal está prevista para 2029.
Previsto
Finalização e operação
Os testes devem ocorrer em 2030, com operação comercial prevista para 2031.
Quem paga a obra e o que muda para a região?
O projeto combina dinheiro público e investimento privado em uma concessão de 30 anos. A Mota-Engil será responsável pela construção, operação e manutenção, enquanto o Estado e a União participam dos aportes e a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) acompanha o contrato.
Em março de 2026, São Paulo abriu R$ 2,64 bilhões em crédito para a obra, conforme a Agência SP. O governo estima cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos e uma travessia inferior a 5 minutos quando o túnel entrar em operação.
O desafio agora é cumprir o cronograma até 2031.

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