Corvos reconhecem rostos humanos individuais, guardam rancor e alertam outras aves sobre pessoas perigosas; Pesquisadores da Universidade de Washington descobriram que eles ainda repreendiam uma máscara ameaçadora anos após o encontro inicial

Os corvos guardam rancor de pessoas que consideram perigosas e conseguem lembrar do seu rosto mesmo após muito tempo. Uma pesquisa famosa feita por cientistas da Universidade de Washington revelou que essas aves não apenas guardam essa mágoa por até 17 anos, mas também fofocam com outros pássaros sobre quem não presta.

Como os pesquisadores testaram a mente dos corvos?

Os cientistas da Universidade de Washington usaram máscaras de borracha para fazer o teste de comportamento. Um grupo usava uma máscara feia de homem das cavernas enquanto capturava e anilhava os animais temporariamente, enquanto outro grupo usava uma máscara neutra do ex-presidente Dick Cheney e apenas passava pelos ninhos sem mexer com ninguém.

Ao longo dos anos, os estudiosos caminharam pelo campus vestindo os disfarces para monitorar a reação de cada bando de aves. Os voluntários que usavam o rosto do homem das cavernas eram recebidos com gritaria e xingamentos coletivos, provando que os bichos sabiam exatamente quem era o vilão da história.

A impressionante memória dos corvos para reconhecer rostos e guardar rancor.
A impressionante memória dos corvos para reconhecer rostos e guardar rancor.

É verdade que os corvos guardam rancor por muito tempo?

Sim, e o tempo de duração dessa mágoa surpreendeu até os cientistas mais experientes no estudo de etologia animal. O experimento original começou em 2006 e, mesmo depois de 17 anos sem nenhuma nova ameaça, as aves continuaram hostilizando quem usava a máscara ruim.

A raiva direcionada ao disfarce perigoso só começou a diminuir de forma gradual quando o líder dos pesquisadores, John Marzluff, fez uma caminhada pelo campus em 2023. Esse rancor duradouro mostra que o cérebro deles funciona de forma muito mais complexa do que as pessoas costumam imaginar.

Como eles espalham o alerta de perigo para o bando?

Os corvos não sofrem em silêncio e fazem questão de avisar os amigos sobre as ameaças da região. Quando avistam o inimigo de máscara, eles emitem um chamado agudo que atrai dezenas de companheiros para fazer um escândalo coletivo.

Esta é a lista com as táticas usadas pelas aves para espalhar a fofoca na árvore:

  • Grito de guerra: Um som alto que avisa todo o bando sobre a presença do invasor perigoso.
  • Ataque aéreo: Voos rasantes para assustar a pessoa e forçar a sua saída do território.
  • Educação dos filhotes: Ensinar os novos membros do ninho a odiar aquela pessoa específica.

Qual a diferença de comportamento entre corvos urbanos e selvagens?

As aves que vivem nas cidades precisam lidar com uma quantidade muito maior de rostos diferentes todos os dias, o que afia a sua capacidade de leitura visual. Já as populações que moram no meio da floresta têm menos contato social e tendem a ser mais ariscas com qualquer humano que apareça.

Esta tabela resume como os dois grupos de animais agem diante das ameaças do cotidiano:

Local de moradia Capacidade de memorização Comportamento com estranhos
🏙️ Cidades grandes Diferenciam rostos específicos com facilidade. Ignoram pedestres comuns e focam apenas em possíveis ameaças.
🌲 Florestas fechadas Lembram de poucos rostos marcantes. Podem fugir ou reagir de forma defensiva diante de qualquer pessoa.

Como essa descoberta muda nossa visão sobre as aves?

A capacidade de guardar mágoas por quase duas décadas coloca esses animais em um grupo seleto de seres vivos com alta inteligência social, como os elefantes e os golfinhos. Isso prova que eles conseguem transmitir conhecimento de geração para geração sem precisar de escrita ou fala complexa.

Respeitar o espaço desses animais urbanos é uma ótima ideia se você não quiser virar o alvo da próxima fofoca da árvore do seu bairro. Afinal, ninguém quer ser perseguido por um bando de pássaros bravos só por ter dado um passo errado no passado.



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