Do interior de Mato Grosso do Sul para um dos maiores lançamentos da música brasileira em 2026. Os integrantes do Brô MC’s, primeiro grupo de rap indígena do país, celebraram a participação no álbum “EQUILIBRIVM II”, de Anitta, e definiram o convite como “um marco histórico” para os povos indígenas e para a representatividade na indústria musical.

Leia mais
A presença de Mato Grosso do Sul no novo álbum de Anitta tem nome e história. O Brô MC’s, coletivo formado em Dourados e reconhecido como o primeiro grupo de rap indígena do Brasil, participa da faixa “OKE”, ao lado da cantora Katú Mirim, no álbum “EQUILIBRIVM II”, que chega às plataformas digitais na noite desta quinta-feira (23).
Em entrevista ao Primeira Página, CH MC destacou o peso simbólico da parceria para os povos Guarani Kaiowá e para a comunidade indígena.
“Representa um marco histórico para os povos indígenas. Representa a voz indígena, a luta indígena, a arte indígena. Estar ao lado de uma artista tão grande, não só do Brasil, mas do mundo, representa muita coisa”, afirmou.
Segundo o artista, participar do projeto representa mais um passo na trajetória do grupo, que ocupa espaços na música nacional e internacional desde 2009.
“É mais um degrau que a gente vem conquistando. Muitas vezes, nossa comunidade não tem voz, e hoje a gente consegue levar essa voz para cima dos palcos”, disse.
Além da representatividade, o grupo acredita que a colaboração pode abrir portas para uma nova geração de artistas indígenas. Para Clemerson Batista, também integrante do Brô MC’s, o momento vivido pelo coletivo é resultado de anos de trabalho e resistência.
“O Brô MC’s é o primeiro grupo de rap indígena do Brasil e está abrindo portas para outros artistas indígenas. Isso é mais uma conquista, mostrando para os outros que eles também podem acreditar nos seus sonhos e levar sua música, sua cultura e sua língua para o mundo”.
Clemerson também diz que o reconhecimento conquistado pelo grupo tem contribuído para outros talentos indígenas serem descobertos.
“Através do Brô MC’s, outros artistas indígenas também estão sendo vistos. Isso é muito importante. A música e a arte não têm fronteiras, e a comunidade indígena sempre vai estar presente nesses espaços.”
Ele também destacou o orgulho de representar Mato Grosso do Sul em um projeto de alcance internacional.
“Estamos levando a cultura Guarani Kaiowá, representando o Mato Grosso do Sul, a Aldeia Jaguapiru e Bororó. Queremos mostrar para todo mundo que aqui existem artistas indígenas e que o Brô MC’s continua fazendo história.”
Convite para EQUILIBRIVM II
De acordo com CH MC, o convite para participar do álbum surgiu através do produtor Papatinho, que já havia trabalhado no primeiro “Equilibrium” e enxergou na canção uma conexão direta com a ancestralidade indígena.
“Ele viu que essa música tinha tudo a ver com os povos indígenas. Não tinha como deixar a gente de fora. Quando o convite chegou, foi muito especial.”
O cantor revelou ainda que a letra já estava pronta quando o grupo entrou no projeto e que Anitta aprovou imediatamente a participação dos sul-mato-grossenses.
A expectativa para o lançamento também é alta. Os integrantes acreditam que o público vai se identificar com a faixa, que mistura elementos contemporâneos com referências à ancestralidade indígena.
“A música está incrível. É uma grande festa, uma grande alegria. Esperamos que o público se identifique, assim como os povos indígenas vão se identificar. A música conecta as pessoas”, afirmou CH MC.
“Um tapa na cara”, diz Brô MC’S
Ao falar sobre o significado da parceria, CH MC fez um desabafo sobre as dificuldades enfrentadas pelos artistas indígenas, inclusive em Mato Grosso do Sul.
“Aqui no estado é muito difícil para nós. Às vezes, o Brô MC’s não é muito bem-vindo nem na própria terra. Então, quando acontece uma parceria dessas, é um tapa na cara dessa galera.”
Para ele, a participação no álbum mostra que a música indígena tem força e potencial para alcançar novos públicos.
“Essa colaboração mostra que o rap indígena pode chegar ao mundo. Espero que outros artistas também abram as portas para os povos indígenas.”
O artista acredita que o encontro com Anitta era apenas uma questão de tempo.
“De um jeito ou de outro, essa colaboração ia acontecer. A gente acredita muito no nosso trabalho. Agora, é o Brô MC’s fazendo história mais uma vez pelo Brasil e pelo mundo.”
Com a participação em “EQUILIBRIVM II”, o Brô MC’s acrescenta mais um capítulo à sua trajetória, que já inclui apresentações no Grammy Latino, Rock in Rio, G20 e projetos internacionais ligados à preservação ambiental e tecnologia ancestral.
Veja abaixo, um trecho em que Anitta conta detalhes sobre a faixa: