💼 Seu MEI cresceu? Cuidado com a Receita
Mais de 570 mil microempreendedores foram desenquadrados em 2024 por estouro de faturamento. O limite de R$ 81 mil por ano não mudou desde 2018, e quem ultrapassar terá que migrar para outro regime tributário. Muitos ainda não sabem. ⬇️
O sonho de empreender com simplicidade pode virar um pesadelo fiscal quando o negócio cresce sem planejamento. O teto de faturamento anual do Microempreendedor Individual permanece em R$ 81 mil desde 2018. Quem ultrapassa esse valor precisa mudar obrigatoriamente para outro regime tributário, e a Receita Federal está cada vez mais eficiente em identificar quem estoura o limite.
Por que tantos microempreendedores foram desenquadrados recentemente?
Um levantamento da Contabilizei, baseado em dados públicos da Receita Federal, revelou que mais de 570 mil CNPJs deixaram a condição de microempreendedor individual em 2024 por excesso de receita bruta. O número é quase 30 vezes maior do que o registrado em 2023. A escalada se deve à intensificação da fiscalização eletrônica.
A Receita cruza automaticamente pelo menos cinco bases de dados: notas fiscais eletrônicas, movimentações bancárias, transações via Pix, informações de operadoras de cartão e registros de marketplaces. Quando os números declarados não batem com a movimentação real, o desenquadramento pode ser automático, sem aviso prévio.

O que acontece quando o faturamento ultrapassa R$ 81 mil?
A legislação prevê dois cenários, dependendo de quanto a receita excedeu o teto. As consequências variam de um simples ajuste tributário até o desenquadramento retroativo com juros e multas pesadas.
Entender a diferença entre os dois cenários é essencial para quem está perto do limite. Cada faixa de excesso gera obrigações distintas, e reagir tarde pode custar caro.
Como funciona a migração do MEI para Microempresa?
O processo de mudança de regime exige atenção a detalhes burocráticos que muitos empreendedores desconhecem. A transição envolve custos com documentação e, na maioria dos casos, a contratação de um contador.
- O pedido de desenquadramento é feito pelo Portal do Simples Nacional. O empreendedor informa o motivo e a data em que o fato ocorreu.
- É necessário atualizar o cadastro na Junta Comercial do estado, transformando o CNPJ de MEI em ME.
- O custo estimado da migração varia entre R$ 260 e R$ 1.000, incluindo taxa da Junta Comercial (R$ 100 a R$ 300) e certificado digital (R$ 160 a R$ 600).
- Como Microempresa no Simples Nacional, o teto de faturamento sobe para R$ 360 mil por ano. A tributação passa a ser progressiva, começando em 4% para comércio e 6% para serviços.

O limite de R$ 81 mil vai aumentar em breve?
Existem pelo menos três projetos de lei em tramitação no Congresso que propõem elevar o teto. O PLP 186/2026 prevê aumento progressivo para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. Outro projeto, o PLP 67/2025, sugere um salto direto para R$ 150 mil com correção anual pelo IPCA. Nenhum deles foi aprovado até o momento.
Enquanto o Congresso debate, a Reforma Tributária traz mudanças próprias. A partir de 2027, o microempreendedor individual pode ser obrigado a emitir nota fiscal também para pessoas físicas, algo que hoje só é exigido em vendas para outras empresas. A criação da figura do “nanoempreendedor”, para quem fatura até R$ 40,5 mil, é outra novidade prevista.
Crescer além do MEI é problema ou oportunidade?
Ultrapassar o limite de faturamento significa, na maioria das vezes, que o negócio está prosperando. A transição para Microempresa traz mais obrigações, mas também abre portas: contratos maiores, acesso a linhas de crédito e possibilidade de contratar mais funcionários. O segredo está em planejar a mudança antes que a Receita Federal decida por você.
Se o seu faturamento está se aproximando de R$ 81 mil, converse com um contador agora. Migrar com planejamento é investir no crescimento do negócio, não perder o que já conquistou.

Deixe um comentário