Roberto trabalhou por dois anos sem conferir o extrato do FGTS. Ao acessar o aplicativo, encontrou oito meses sem recolhimento e descobriu que o valor não deveria ter sido descontado de seu salário, pois o depósito é uma obrigação do empregador.
Como Roberto descobriu os meses sem depósito?
Na situação fictícia, Roberto, de 41 anos, decidiu consultar o FGTS depois de conversar com um colega de trabalho. Ao abrir o extrato da conta vinculada ao emprego atual, percebeu que alguns meses apareciam normalmente, enquanto outros não apresentavam qualquer recolhimento.
A ausência de registros consecutivos acendeu o alerta. Como ele nunca havia acompanhado a conta, a irregularidade permaneceu despercebida durante meses e poderia ter continuado assim até uma demissão, uma aposentadoria ou outra situação de saque.
O FGTS é descontado do salário do empregado?
O depósito do FGTS não deve ser retirado da remuneração mensal do trabalhador. Nos contratos regidos pela CLT, cabe ao empregador recolher normalmente o equivalente a 8% da remuneração paga ou devida e depositar esse valor em uma conta vinculada ao contrato.
Um empregado com remuneração de R$ 3.000, por exemplo, deve ter um recolhimento mensal de R$ 240, sem que essa quantia seja subtraída dos R$ 3.000 registrados como salário. Contratos de aprendizagem possuem percentual diferente, geralmente de 2%.

Como conferir se todos os depósitos foram realizados?
O aplicativo FGTS permite consultar o saldo, visualizar as contas vinculadas e acompanhar os recolhimentos feitos por cada empregador. A conferência deve considerar que contratos diferentes podem aparecer em contas separadas.
Durante a análise do extrato, alguns pontos merecem atenção:
- nome e identificação da empresa;
- meses em que houve recolhimento;
- valor depositado em cada competência;
- diferenças relacionadas a férias ou décimo terceiro;
- contas antigas ligadas a outros empregos;
- eventuais depósitos realizados com atraso.
O vencimento mensal ocorre, em regra, até o dia 20 do mês seguinte ao período trabalhado. Por isso, um recolhimento muito recente pode ainda não ter aparecido quando a consulta é feita antes dessa data.
O que fazer quando faltam depósitos no extrato?
O primeiro passo é guardar o extrato completo e comparar as competências ausentes com holerites, contrato de trabalho e registros da carteira profissional. Em seguida, o trabalhador pode solicitar esclarecimentos ao setor responsável da empresa.
Para organizar a verificação, é recomendável reunir:
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01
Capturas ou arquivos do extrato das contas do FGTS
Os registros permitem identificar competências sem recolhimento, depósitos incompletos e diferenças entre os valores esperados e os efetivamente creditados.
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02
Holerites dos meses em que o depósito não apareceu
Os comprovantes de pagamento ajudam a demonstrar o salário recebido e servem de referência para a conferência dos recolhimentos correspondentes.
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03
Carteira de trabalho física ou digital
O documento comprova datas de admissão, função, empregador e demais informações importantes sobre o vínculo de trabalho.
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04
Contrato e alterações salariais ocorridas durante o vínculo
Esses documentos ajudam a verificar mudanças de remuneração que podem influenciar o valor devido em cada período.
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05
Mensagens enviadas ao empregador cobrando a regularização
E-mails, conversas e protocolos demonstram que o trabalhador comunicou a ausência dos depósitos e tentou resolver o problema diretamente.
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06
Respostas recebidas da empresa sobre os valores pendentes
As manifestações do empregador podem confirmar atrasos, promessas de regularização, justificativas apresentadas ou divergências sobre os recolhimentos.
Se o empregador reconhecer o atraso, deverá regularizar os valores na conta vinculada. O pagamento direto ao empregado não substitui o recolhimento do FGTS.
Onde buscar ajuda se a empresa não regularizar?
Quando a situação não é resolvida internamente, o trabalhador pode registrar uma denúncia trabalhista pelos canais digitais do Ministério do Trabalho e Emprego. Também pode procurar o sindicato da categoria ou avaliar uma reclamação perante a Justiça do Trabalho.
A falta de recolhimentos pode reduzir o saldo disponível em situações como demissão sem justa causa, compra da casa própria ou aposentadoria. Além do valor principal, o atraso interfere na atualização e nos rendimentos que seriam incorporados à conta.
A experiência fictícia de Roberto mostra por que o extrato não deve ser consultado apenas no fim do contrato. Acompanhar os depósitos regularmente permite identificar falhas mais cedo, reunir documentos e cobrar a regularização antes que vários meses se acumulem.

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