Sistema Famato | Agenda técnica fortalece a piscicultura mato-grossense e abre caminho para novas exportações

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), realizou na quinta-feira (06) uma agenda técnica voltada ao fortalecimento da piscicultura mato-grossense e à ampliação das oportunidades de exportação nos municípios de Alto Paraguai e Nova Marilândia.

A iniciativa faz parte das ações desenvolvidas pela Famato para aproximar as atividades produtivas do agro mato-grossense dos mercados internacionais, conectando empresas e produtores às oportunidades oferecidas pela ApexBrasil e fortalecendo a competitividade dos produtos do estado.

A programação teve início em Alto Paraguai, com visita à piscicultura Princesa, empreendimento que atua de forma verticalizada, produz cerca de 3 mil toneladas de pescado por ano, com destaque para tambatinga e pintado, em um sistema que abrange todas as etapas da produção, desde o laboratório até o processamento. A empresa investe em tecnologias como aeração, melhoramento genético e bem-estar animal para aumentar a produtividade e a qualidade do pescado.

Visitas destacaram o potencial dos peixes nativos e a estrutura da atividade

O produtor e proprietário da piscicultura Princesa, Dirceu Mendes, destacou a importância da atuação conjunta entre entidades para fortalecer o setor e ampliar o acesso ao mercado internacional.

“A união entre produtores e entidades é essencial para abrir novos mercados. Sozinho, o piscicultor não consegue alcançar grandes mercados consumidores, por isso iniciativas como essa fortalecem o setor e criam oportunidades para a exportação”, disse Dirceu.

Na sequência, a comitiva seguiu para Nova Marilândia, onde foram realizadas visitas técnicas à Grand Fish Pescados, uma indústria de beneficiamento de pescado que processa espécies nativas, como tambaqui, pintado e tambatinga, produzindo diferentes tipos de cortes para o mercado, e conta com a estrutura de uma graxaria, o setor responsável por coletar e reciclar os resíduos gerados no processamento do pescado, como cabeça, espinhas, vísceras e aparas.

Com capacidade instalada para processar até 30 toneladas de peixe por dia, o diretor Waldemar da Silva Júnior relata que a empresa busca ampliar sua atuação por meio da abertura de novos mercados, incluindo a futura inserção no mercado internacional.

Ação reforça estratégias para agregar valor ao pescado e abrir novos mercados para o setor

“Temos estrutura para crescer e acreditamos que iniciativas como essa criam as conexões necessárias para que empresas mato-grossenses alcancem o mercado internacional. Para quem ainda está iniciando nesse processo, conhecer como funciona a exportação é fundamental. Essa troca de informações nos dá mais segurança para buscar esse mercado”, destaca.

Segundo o analista de Pecuária da Famato, Marcos Carvalho, a aproximação entre os produtores e as instituições voltadas à promoção comercial é fundamental para ampliar a competitividade da piscicultura. Além disso, as visitas buscam reduzir a distância entre a produção e o mercado e aproximar produtores de potenciais compradores; também orientam sobre certificações e outros requisitos importantes para ampliar as oportunidades de comercialização.

“Nas rodadas de negócios, percebemos que o produtor já domina o que acontece da porteira para dentro. O principal desafio está da porteira para fora: acessar mercados, identificar compradores e estruturar a comercialização. É justamente nesse ponto que essa aproximação com a ApexBrasil pode fazer a diferença”, reforça Marcos.

amato, ApexBrasil e Aquamat aproximaram produtores e agroindústrias do mercado internacional

Para o representante da ApexBrasil em Mato Grosso, Jurandyr Junior, a internacionalização depende da preparação das empresas e da articulação entre as instituições.

“A piscicultura brasileira já ultrapassa a marca de 1 milhão de toneladas produzidas, enquanto o mercado global de pescados movimenta cerca de US$ 500 bilhões por ano. Aproximar Mato Grosso desse cenário é fundamental para ampliar as oportunidades da atividade produtiva”, analisa Jurandy.

Produção

De acordo com o Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026, Mato Grosso consolidou-se, em 2025, como o 7º maior produtor de peixes de cultivo do Brasil, com 45,7 mil toneladas produzidas, crescimento de 2,65% em relação ao ano anterior.

A produção estadual é liderada pelos peixes nativos, responsáveis por 40 mil toneladas, o equivalente a 87,5% do volume total, posição que coloca Mato Grosso como o 3º maior produtor nacional de espécies nativas, atrás apenas de Rondônia e Maranhão, respectivamente.

Entre os destaques da piscicultura mato-grossense estão os peixes nativos, principal diferencial da produção estadual. O tambaqui lidera a produção ao lado do pintado, enquanto a tambatinga, híbrido de tambaqui e pirapitinga, vem ganhando espaço pelo potencial produtivo. Pacu e pirapitinga também se destacam pela boa aceitação no mercado e pelo potencial de agregação de valor por meio do processamento.

A tilápia também apresentou forte expansão, alcançando 5,5 mil toneladas, com crescimento superior a 17% em comparação com 2024, enquanto outras espécies somaram cerca de 200 toneladas.

O presidente da Associação dos Aquicultores do Estado de Mato Grosso (Aquamat), Darci Fornari, destaca que a união entre produtores, agroindústrias e entidades é estratégica para consolidar o crescimento da atividade.

“A piscicultura de Mato Grosso evoluiu muito nos últimos anos. Hoje temos empresas investindo em tecnologia, processamento e qualidade. Fortalecer essa integração e ampliar o acesso aos mercados internacionais significa gerar mais renda, agregar valor ao pescado e estimular novos investimentos na atividade e fomentar a exportação de peixes nativos”, enfatiza Darci.

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