PIB do agronegócio tem queda sutil de 2% após cinco trimestres de crescimento contínuo; entenda os motivos

O agronegócio brasileiro começou 2026 em desaceleração. Após anos puxando o crescimento da economia nacional, o setor registrou queda de 2,01% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre e deve reduzir sua participação na riqueza produzida pelo país, passando de 25,2% para 22,8% até o fim do ano.

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Apesar da queda do PIB, o agronegócio ainda é considerado um dos principais motores da economia do país. – Foto: Reprodução

A retração ocorre mesmo com o aumento da produção de importantes culturas, como soja e café, já que a forte queda dos preços das commodities reduziu a renda gerada no campo. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A projeção é de que o agronegócio movimente R$ 3,13 trilhões em 2026, abaixo dos R$ 3,39 trilhões registrados no ano passado. A retração foi concentrada no ramo agrícola, que apresentou queda no PIB de 3,62% no primeiro trimestre.

Já a pecuária apresentou crescimento de 0,70%, impulsionada principalmente pela demanda aquecida por carne bovina no mercado externo e pelo avanço da agroindústria ligada às proteínas animais.

Segundo o levantamento, o principal fator para o recuo foi a queda dos preços recebidos pelos produtores. Embora culturas como soja, café e cana-de-açúcar tenham projeção de aumento na produção ao longo de 2026, a desvalorização das commodities foi suficiente para reduzir o valor gerado dentro das propriedades rurais.

Impacto em outras cadeias produtivas

Os efeitos se espalharam por toda a cadeia produtiva. O segmento de insumos encolheu 2,15%, pressionado principalmente pela menor venda de defensivos e máquinas agrícolas. O cenário de juros elevados, crédito restrito e margens mais apertadas levou produtores a adiar investimentos.

A agroindústria também registrou queda de 1,03%, enquanto os agrosserviços recuaram 1,25%, apontando para uma redução da demanda por transporte, armazenagem, comércio e outros serviços ligados ao campo.

Apesar do cenário de retração, a pecuária mostrou maior resiliência. O crescimento das exportações de carne bovina e o avanço da produção de proteínas animais ajudaram a sustentar parte da atividade econômica do setor, amenizando as perdas registradas na agricultura.

Veja os principais dados da pesquisa:

PIB do Agronegócio Brasileiro

Panorama Analítico do 1º Trimestre de 2026 | CEPEA/USP & CNA

PIB Total (1º Tri 2026)

R$ 3,13 Trilhões

-2,01% vs 1º Tri 2025

Participação no PIB Brasil

22,8%

Abaixo dos 25,2% em 2025

Ramo Agrícola

R$ 1,88 Trilhão

-3,62% no trimestre

Ramo Pecuário

R$ 1,25 Trilhão

+0,70% no trimestre

Desempenho por Segmentos (1º Tri 2026 vs 1º Tri 2025)

Segmento Agronegócio Total Ramo Agrícola Ramo Pecuário
Insumos -2,15% -1,95% -2,76%
Primário (Dentro da Porteira) -4,15% -5,72% -1,77%
Agroindústria -1,03% -2,31% +1,93%
Agrosserviços -1,25% -3,40% +1,86%

Variação Anual das Principais Culturas (Valor Bruto da Produção)

Cultura VBP (%) Preço Real (%) Quantidade (%)
Batata +23,04% +33,88% -8,10%
Feijão +30,15% +37,26% -5,18%
Café -11,61% -25,08% +17,98%
Soja -4,60% -9,18% +5,04%
Milho -19,85% -19,29% -0,70%
Algodão -21,22% -19,07% -2,65%
Arroz -50,48% -42,99% -13,13%
Laranja -58,74% -58,58% -0,38%

Pecuária: Desempenho e Atividades (2026/2025)

Atividade Pecuária Valor (VBP) Preço Real Quantidade
Boi Gordo para Corte +3,49% +0,34% +3,14%
Frango para Corte -4,74% -15,20% +12,33%
Suíno para Corte -10,10% -17,74% +9,29%
Leite -21,41% -24,62% +4,26%
Ovos -25,74% -26,29% +0,74%

Insumos e Agroindústrias Selecionadas

Setor / Insumo / Agroindústria VBP (%) Preço (%) Volume (%)
Conservas de Frutas/Legumes +18,17% -3,53% +22,50%
Biocombustíveis (Etanol) +9,67% +1,09% +8,49%
Fertilizantes e Corretivos +1,03% -2,67% +3,80%
Óleos Vegetais -8,12% -9,84% +1,90%
Defensivos Agrícolas -16,73% -12,72% -4,60%
Máquinas Agrícolas -20,55% -10,62% -11,10%
Açúcar -33,06% -32,71% -0,51%

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