A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) reuniu, nesta quinta-feira (3), presidentes de sindicatos rurais de diferentes regiões do estado para discutir temas relacionados à sanidade e à defesa animal, no auditório da instituição.
O encontro da Comissão Técnica de Pecuária teve como objetivo conhecer as diferentes realidades enfrentadas pelos produtores nas regiões de Mato Grosso, esclarecer dúvidas e levar informações que contribuam para a adequação e a segurança das atividades pecuárias.
Entre os assuntos discutidos estiveram as exigências da União Europeia (UE) para o uso de determinados antimicrobianos em animais e produtos de origem animal destinados ao bloco. As regras passam a ser aplicadas a partir desta quinta-feira (3), o que exige que a atividade produtiva esteja preparada para comprovar o cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo mercado europeu.
Representantes do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participaram da reunião para explicar as restrições, esclarecer dúvidas e orientar os produtores sobre os cuidados necessários para atender às exigências.
O objetivo é contribuir para que os produtores conheçam as regras e estejam preparados para atender aos requisitos de mercados que possuem exigências específicas, como a União Europeia. O Mapa mantém uma página específica com informações sobre o uso responsável de antimicrobianos, legislação, classificação das substâncias e materiais de orientação para produtores e profissionais que atuam na saúde animal.
As novas exigências da União Europeia para a importação de carne bovina aumentam a pressão sobre a atividade produtiva brasileira, principalmente pela necessidade de comprovar que os animais destinados ao bloco não receberam determinadas substâncias durante toda a vida. O desafio é maior na bovinocultura devido ao longo ciclo de produção e à dificuldade de identificar e segregar os animais desde o nascimento. Além da adaptação dos sistemas de rastreabilidade, a restrição aos promotores de desempenho pode afetar a eficiência produtiva, o ganho de peso e a rentabilidade dos confinamentos.
“Precisamos discutir, como setor, o que está acontecendo no mundo e encontrar uma forma de manter a nossa competitividade sem perder espaço nos mercados internacionais”, afirma o coordenador da Comissão de Pecuária da Famato, Amarildo Merotti.
A orientação do Mapa pode ser consultada no portal do ministério: Uso responsável de antimicrobianos na saúde animal e também e a lista atualizada de classificação dos antimicrobianos proibidos pela UE, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). Acesse aqui.
Disponibilidade de vacinas
A Famato também apresentou um levantamento realizado junto aos sindicatos rurais sobre a disponibilidade de vacinas contra clostridioses. Segundo os relatos recebidos, produtores de diferentes regiões afirmam encontrar dificuldades para localizar os produtos no mercado.
A mesma preocupação foi identificada em relação às vacinas contra a raiva, com relatos de baixa disponibilidade comercial em algumas localidades. Diante desse cenário, a Famato acompanha a situação junto aos sindicatos rurais e busca alternativas que possam ampliar o acesso dos produtores aos produtos necessários para a prevenção e o controle de doenças nos rebanhos.
O Mapa informou que busca se reunir com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) para tratar do abastecimento emergencial de vacinas para o estado de Mato Grosso até novembro, quando acontece a campanha de atualização do estoque de rebanho pelo Indea MT, buscando garantir a disponibilidade dos imunizantes necessários para atender à demanda do setor.
O acompanhamento próximo das demandas apresentadas pelos sindicatos é fundamental para identificar problemas que podem variar entre as regiões e buscar encaminhamentos junto aos órgãos responsáveis.
O presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, destacou que a união entre as instituições foi importante para aproximar os produtores das informações necessárias para a adequação às exigências sanitárias.
“Foi muito importante reunir a Famato, o Indea e o Mapa para tratar desses assuntos e entender melhor o que está sendo exigido. A gente conseguiu esclarecer dúvidas e ter informações que serão importantes para levar aos produtores da nossa região. Essa aproximação ajuda a gente a se preparar com antecedência e orientar o produtor sobre o que ele precisa fazer para atender às exigências”, afirmou.
A reunião também aproximou produtores, representantes sindicais e órgãos de defesa agropecuária, fortalecendo o diálogo sobre medidas de prevenção, disponibilidade de produtos veterinários e adequação às exigências sanitárias nacionais e internacionais.

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