DA REDAÇÃO
A desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, eleita nova corregedora-geral da Justiça de Mato Grosso, afirmou que não haverá protecionismo a magistrados e servidores durante sua gestão. Ela prometeu rigor na fiscalização do Judiciário e disse que não pretende “passar a mão na cabeça” de quem cometer irregularidades.

Eu não pretendo ser uma desembargadora punidora, mas não vou deixar de cumprir minha função, se precisar.
“O juiz precisa ser correto, honesto, trabalhador. Eu não pretendo ser uma desembargadora punidora, mas não vou deixar de cumprir minha função, se precisar. Eu não passaria a mão na cabeça de ninguém, no sentido de ter um protecionismo, alguma coisa assim. Mas eu não serei injusta com ninguém, nenhum magistrado”, afirmou.
A declaração foi dada nesta quinta-feira (8), após a eleição da nova Mesa Diretora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).
Além de Helena Maria Bezerra Ramos, eleita por unanimidade para comandar a Corregedoria-Geral da Justiça, os desembargadores José Luiz Leite Lindote e Gilberto Giraldelli também foram escolhidos, na mesma sessão, para os cargos de presidente e vice-presidente do TJ-MT, respectivamente.
A futura corregedora afirmou que pretende conduzir a fiscalização com imparcialidade, garantindo o direito de defesa aos investigados, mas sem tolerar irregularidades comprovadas.
“Não é porque são juízes que eles não terão direito às suas defesas, mas, se ficar comprovado, não interessa para mim maus magistrados no Judiciário. Nós queremos um Judiciário sério, em que o povo confie”, afirmou.
Magistrados afastados
Atualmente, o Judiciário de Mato Grosso tem dez magistrados afastados de suas funções, entre juízes e desembargadores, a maioria por suspeita de envolvimento em esquemas de venda de decisões judiciais

Não interessa para mim maus magistrados no Judiciário. Nós queremos um Judiciário sério, em que o povo confie
Questionada sobre os casos, Helena afirmou que os afastamentos são situações excepcionais diante de um quadro de aproximadamente 400 magistrados. Ela defendeu a integridade da instituição, mas reconheceu que a aprovação em concurso público não garante a conduta ética de um profissional.
“O nosso Judiciário é um Judiciário sério, é um Judiciário trabalhador. Alguns desvios vão haver. Isso é caráter. Como se diz, o concurso mede a capacidade técnica de um juiz, mas não mede o caráter de ninguém”, declarou.
A desembargadora ressaltou que pretende fortalecer a confiança da população na Justiça por meio da fiscalização da conduta de magistrados e servidores e do cumprimento das normas éticas e disciplinares.
Apesar do discurso de rigor, Helena rejeitou a ideia de adotar uma gestão excessivamente punitiva. Segundo ela, sua atuação será orientada pela legalidade e pela apuração individual de eventuais irregularidades.
“Não existe linha dura, ou frouxa, ou mole. O que existe é o que é certo. Quem fez alguma coisa errada vai ter que responder. Então, eu quero agir com justiça”, concluiu.
Veja vídeo:


