Casal paga R$ 154 mil por veículo e denuncia vendedor por golpe

MidiaNews

Fachada da GAC, concessionária localizada em Várzea Grande

Fachada da GAC, concessionária localizada em Várzea Grande

LIZ BRUNETTO

DA REDAÇÃO

Um casal denunciou ter sido vítima de um suposto golpe de R$ 154 mil aplicado por um vendedor durante a compra de um veículo novo em uma concessionária da GAC, do Grupo Canopus-Gemini Motors, em Várzea Grande.

 

Jamais imaginei que seria vítima de um golpe fazendo uma negociação dentro da concessionária

Segundo C.H.L.O., de 57 anos, o vendedor Douglas Alexandre de Paula Tonholo recebeu R$ 153.990 referentes à compra em uma conta vinculada a um CNPJ em seu nome e deixou de responder aos clientes antes da entrega do veículo.

 

O casal registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil no dia 4 de setembro de 2026. O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande.

 

Conforme o B.O., o casal pretendia comprar um GS4 Premium, da GAC, e deram R$ 1 mil de sinal à concessionária e, posteriormente, fizeram o pagamento de R$ 153.990 na conta indicada pelo vendedor, referente ao restante do valor do veículo.

 

De acordo com o relato da vítima, Douglas se apresentou durante toda a negociação como funcionário da concessionária e manteve contato por meio do mesmo número de WhatsApp utilizado desde o início da tratativa.

 

“É uma frustração muito grande. Eu procurei uma concessionária de um grupo que é dono de várias concessionárias no Estado, que eu já era cliente há oito anos, e jamais imaginei que seria vítima de um golpe fazendo uma negociação dentro da concessionária”, afirmou C.H.L.O.

 

A negociação teve início em 6 de julho e o veículo deveria ser entregue entre os dias 3 e 4 de setembro. A compra do GS4 Premium seria na modalidade destinada a pessoas com deficiência (PCD), já que a esposa dele, R.M.C.H.L.O., de 54 anos, é PCD.

 

De acordo com a vítima, um amigo indicou o vendedor após ter comprado o seu veículo com ele. O aposentado disse ter entregado a Douglas todos os documentos solicitados, como habilitação, autorização da Receita Federal e laudo de deficiência. Na ocasião, também foi pago o sinal de R$ 1 mil por Pix diretamente para a conta da concessionária.

 

Reprodução

O GAC GS4

O GAC GS4, carro similar ao que as vítimas pretendiam adquirir

“Ele falou que ia fazer a ordem de compra e, quando o veículo fosse faturado, nos ligaria para efetuar o pagamento do valor do veículo”, contou o aposentado.

 

Durante os dias que se passaram, as vítimas mantiveram contato com o vendedor, que afirmava atualizá-las sobre o andamento do pedido do veículo. 

 

Pagamento de R$ 153 mil

 

Cerca de 30 dias depois do início da negociação, em 18 de agosto, Douglas informou ao casal que o veículo havia sido faturado e que era necessário realizar o pagamento. Como o casal estava viajando, não foram pessoalmente à concessionária. 

 

“Em 18/08/2026 o suspeito entrou em contato com a vítima e disse que o carro havia sido faturado e teria de ser feito o pagamento; ele mandou um contrato de prestação de serviços de intermediação de venda de veículo, assinado via gov.br e devolveu ao suspeito; no mesmo dia fez o Pix de R$ 153.990,00 em conta cnpj no nome do suspeito douglas”, diz trecho do boletim de ocorrência.

 

Ele afirmou que chegou a confirmar com Douglas se aquela era realmente a conta correta antes de fazer a transferência.

 

“Nós fizemos o depósito. Apareceu o nome do vendedor. Eu ainda confirmei para saber se a conta era aquela mesmo. Ele confirmou: ‘Ah, não, a conta é essa mesmo’. Aí eu efetuei o depósito. Fiz um Pix para a conta do CNPJ que ele mandou”, relatou.

 

Depois do pagamento, Douglas continuou mantendo contato com o casal. Ele dizia que o carro havia sido embarcado em São Paulo e que chegaria a Várzea Grande entre os dias 3 e 4 de setembro.

 

Nós fizemos o depósito. Apareceu o nome do vendedor. Eu ainda confirmei para saber se a conta era aquela mesmo. Ele confirmou

O vendedor chegou a marcar encontros com os dois na concessionária, mas, segundo a vítima, desmarcou os compromissos alegando que estava realizando “vendas externas”.

 

Até que, no dia 4 de setembro, Douglas informou que estaria na loja às 16 horas e combinou de encontrar o casal para a entrega do veículo. Pouco antes, às 13h53, o vendedor enviou uma mensagem dizendo que estava a caminho da concessionária.

 

Quando chegaram ao local, porém, o casal descobriu que Douglas não estava mais trabalhando na empresa.

 

“Quando nós chegamos lá e procuramos por ele, nós tivemos a informação de que ele não estava na empresa. Que ele tinha tirado férias e não tinha retornado. Nós tomamos um susto, porque era o dia que iríamos receber o carro”, contou a vítima.

 

Ele ligou para o vendedor e o confrontou. Após a ligação, segundo a vítima, o vendedor desligou o telefone e deixou de responder às mensagens. 

 

“Foi o momento que a gente descobriu que tinha sido vítima do golpe”, disse.

 

Sem pedido do veículo

 

O casal foi atendido pelo gerente regional da GAC, Leandro Richard Bittencourt, que verificou a situação e, segundo o depoimento prestado à Polícia Civil em 14 de setembro, não encontrou nenhum pedido de compra do veículo no sistema da concessionária ou da montadora.

 

No depoimento, Bittencourt afirmou que o único pagamento identificado pela empresa foi o sinal de R$ 1 mil, depositado diretamente na conta da concessionária em 6 de julho.

 

Segundo o gerente, conforme o procedimento da empresa, pagamentos referentes à compra de veículos deveriam ser feitos diretamente para o CNPJ da concessionária.

 

Ainda segundo o gerente, a concessionária não autoriza contratos de representação entre vendedores e clientes. 

 

Bittencourt também relatou à Polícia Civil que tinha conhecimento “superficial” de outras reclamações financeiras envolvendo Douglas e citou ao menos duas situações envolvendo outros clientes, uma delas resolvida pela entrega de um veículo seminovo de test-drive.

 

Segundo o gerente, Douglas foi contratado em 2025, na inauguração da concessionária em Várzea Grande. O último contato da equipe com o vendedor ocorreu quando ele entrou de férias, em julho, com retorno formalmente previsto para agosto. 

 

À época do depoimento, a loja contava com cinco vendedores, incluindo Douglas. O gerente afirmou que o funcionário provavelmente seria desligado por justa causa em razão de abandono de emprego. 

 

A Polícia Civil solicitou à empresa documentos relacionados ao vendedor, incluindo contrato de trabalho, telegramas enviados para que ele comparecesse à concessionária, manual de conduta e registros do sistema CRM referentes a outros clientes.

 

Medidas judiciais

 

Além da investigação policial, o casal afirmou ter procurado o Procon, registrou reclamação no site Reclame Aqui e ingressou com uma ação na Justiça contra a empresa.

 

O processo tramita na 4ª Vara Cível de Cuiabá e, segundo ele, está em fase inicial. O casal pede a entrega do veículo e, caso isso não ocorra, a restituição do valor pago, com correção, além de indenização por danos morais.

 

 

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