“Bolsonarismo e Mendes foram dois grandes vencedores em MT"

Yasmin Silva/MidiaNews

O analista político Vinicius de Carvalho, que falou sobre o resultado das urnas em Mato Grosso

O analista político Vinicius de Carvalho, que falou sobre o resultado das urnas em Mato Grosso

GIORDANO TOMASELLI

DA REDAÇÃO

O analista político Vinicius de Carvalho avaliou que o resultado das eleições de 4 de outubro consolidou a força política do senador eleito Mauro Mendes (União) e do bolsonarismo em Mato Grosso. Segundo ele, ambos foram os grandes vencedores do pleito no Estado.

 

Acho que é um pódio dividido aí: o Mauro e o PL

“Acho que é um pódio dividido aí: o Mauro e o PL. O bolsonarismo e o Mauro Mendes são os dois grandes vencedores dessa eleição, com certeza, não tem como fugir disso”, afirmou em entrevista ao MidiaNews.

 

Além de se tornar o senador mais votado da história de Mato Grosso, com 1.187.352 votos, Mendes conseguiu eleger seu sucessor no Palácio Paiaguás, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), e emplacar aliados, como a esposa, Virginia Mendes, e o deputado federal Fábio Garcia.

 

Já o PL dobrou sua bancada na Assembleia Legislativa, passando de dois para quatro deputados estaduais, elegeu três representantes para a Câmara dos Deputados e conquistou uma vaga no Senado com José Medeiros. Além disso, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) obteve, em Mato Grosso, uma votação superior à alcançada por seu pai, Jair Bolsonaro, no Estado em 2022.

 

O principal revés da sigla foi a derrota de Wellington Fagundes na disputa pelo Governo.

 

Durante a entrevista, Vinicius também analisou os erros que contribuíram para a derrota de Janaina Riva (MDB) na corrida ao Senado, os acertos da campanha de Pivetta e a nova composição da Assembleia Legislativa e da bancada federal de Mato Grosso. O analista ainda avaliou o cenário da disputa pela Presidência da República.

 

 

Confira os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews – Na última semana, Pivetta ampliou a vantagem e venceu no primeiro turno com mais de 60% dos votos. Como viu esse resultado? Foi surpresa?

 

Vinicius de Carvalho – Nessa intensidade não era esperado. As pesquisas não vinham mostrando isso, muita gente vinha trabalhando a possibilidade de um inédito segundo turno em Mato Grosso.

 

Wellington desempenhou muito mal. Ele é um caso de sucesso para o Legislativo, tem que ser estudado

 

O Pivetta vinha crescendo, as pesquisas vinham medindo isso desde o começo do ano, mas era uma incógnita até onde ele iria.

 

Podia ter acontecido uma onda Wellington, uma onda 22, aderido ao Flávio Bolsonaro e ter ficado mais acima do que ele ficou. Mas acabou acontecendo a onda Pivetta, por conta da força da estrutura do governo do Estado e dos candidatos.

 

Também aconteceu aquela chapa dos sonhos que durante muito tempo foi trabalhada: Pivetta, Mauro e Medeiros. Eles queriam essa chapa formalmente, queriam que o PL não tivesse candidatura, queriam tirar o Wellington e a Janaína Riva.

 

Não deu certo, o Wellington realmente conseguiu ser candidato, com o apoio do Valdemar Costa Neto. Porém, essa chapa aconteceu durante a reta final da eleição. Esses três se potencializaram muito. Especialmente o Mauro, que sempre foi líder, acabou potencializando muito também Medeiros e Pivetta.

 

O Wellington realmente teve essa perda. Estimava para o Wellington no mínimo 28%, e ele acabou ficando com 22% dos votos válidos, abaixo da minha estimativa. E a Natasha eu estimava no mínimo 20%, ela acabou ficando com 15%.

 

Isso explica essa vitória do Pivetta em primeiro turno.

 

MidiaNews – O que pesou para Wellington ter um desempenho tão ruim?

 

Vinicius de Carvalho – O Wellington desempenhou muito mal. Ele é um caso de sucesso para o Legislativo, tem que ser estudado. Está com mandato há 36 anos e vai permanecer senador, vai chegar a 40 anos de mandatos consecutivos.

 

É realmente um feito, só que Legislativo. É a quarta eleição para Executivo que o Wellington perde. As respostas dele são muito genéricas, muito evasivas e muito parecidas. Executivo você tem que dizer assim: vou fazer isso, vou fazer aquilo, vou extinguir.

 

A campanha do Pivetta, de forma muito clara, percebeu isso. Os dois têm muitas semelhanças, mas tem essa diferença fundamental: o Wellington é um homem do parlamento, já o Pivetta é do ‘fazimento’.

 

A carreira política do Pivetta é quase toda no Executivo. Ele só teve uma experiência no Legislativo na qual foi mal, ele mesmo reconhece. Era um choque de dois perfis e o Wellington foi muito mal por isso, ele tem dificuldade em eleição para o Executivo. Isso acabou cobrando a fatura durante a campanha.

 

MidiaNews – É possível desligar a derrota de Wellington do bolsonarismo em Mato Grosso?

 

Vinicius de Carvalho – O Pivetta acabou ganhando no eleitorado bolsonarista. Segundo a Quaest, entre os bolsonaristas o Pivetta ganhou: 42% a 29% do Wellington. Na direita não-bolsonarista, mais ainda: 51% a 23%.

 

Yasmin Silva/MidiaNews

Vinicius de Carvalho

Segundo Vinicius, aliança Pivetta-Mendes-Medeiros ocorreu na reta final

 

O Wellington é centro, o perfil dele é centrista, então sempre houve esse desconforto. E o Pivetta é mais direita que o Wellington, é mais bolsonarista que ele do ponto de vista político mesmo.

 

O Wellington, na sua trajetória política e na campanha, sempre dialogando muito com setores mais progressistas: educação, saúde, RGA dos servidores. Essa questão partidária às vezes confunde. O eleitorado realmente fez essa opção por Pivetta, Mauro e Medeiros.

 

Essa migração do eleitor bolsonarista para o Pivetta demonstra essa dificuldade do Wellington de atrair [os bolsonaristas].

 

MidiaNews – O que mais contribuiu para a vitória de Pivetta?

 

Vinicius de Carvalho – A comunicação foi muito bem feita, por profissionais daqui de Mato Grosso, o Álvaro [de Carvalho] e o Bruno Bini.

 

Ele melhorou até no media training, também feito com profissionais daqui. Melhorou ao longo dos debates. No da Globo ele foi mal, foi desesperador, os três [candidatos] foram muito mal, mas já no da Vila Real ele melhorou.

 

Pesou a estrutura muito forte a favor dele. Ele acertou nesse vínculo com o Mauro, essa estrutura do governo do Estado, a maioria dos candidatos a federal e a estadual alinhados com ele e o agronegócio também.

 

É a sétima eleição consecutiva que o candidato apoiado pelo Blairo Maggi ganha. Ele é o ‘Rei Midas’ de eleição de governador em Mato Grosso. Foram as duas dele, depois Silval Barbosa, Pedro Taques, as duas do Mauro e essa do Pivetta.

 

Esse apoio do agronegócio também foi muito importante para a vitória do Pivetta.

 

 

MidiaNews – Como Natasha Slhessarenko sai dessa disputa?

 

Vinicius de Carvalho – O ‘prêmio revelação’ desta eleição vai para ela. Saiu do zero para fazer 15% dos votos válidos, e num contexto muito difícil, com muitas restrições.

 

Ela perdeu tempo de TV, houve aquele vazamento muito estranho, mas era uma campanha muito fragilizada. Apesar disso, teve um bom desempenho, é um produto novo especialmente aqui na região metropolitana.

 

Ela foi muito bem, teve uma boa votação, é um nome que será lembrado para a prefeitura de Cuiabá ou para a de Várzea Grande, onde foi muito bem votada.

 

Poderia ter ido mais além se tivesse feito uma adesão ao Lula. Fazendo as correções devidas para as próximas campanhas, ela pode ir muito além.

 

MidiaNews – Mauro Mendes foi o maior vencedor desta eleição?

 

Vinicius de Carvalho – Foi, não tem como fugir disso. A variável chave para explicar isso é essa capacidade de investimento que o governo do Estado tem, que foi construída especialmente durante esse governo Mauro.

 

Tendência é ter surpresa em eleição de duas vagas para senador: ganha um político favorito e a outra vaga é uma surpresa

 

Isso foi decisivo, além do peso do agronegócio. A política mudou, a correlação de forças mudou e o Mauro sai como um grande vencedor e consegue a eleição para o Senado em primeiro lugar.

 

Ele conseguiu manter esse primeiro voto e vinha dobrando com Fávaro, Medeiros, Galvan e Margareth. Só que, ao longo da campanha, foi centralizando no Medeiros para derrotar a Janaína, ficou muito notório isso.

 

O Fávaro realmente não correspondeu, teve dificuldade. Não foi o grupo todo do Mauro [vencedor], eram doze e os secretários foram sacrificados. Quem ganhou foi somente o Fábio Garcia e o Coronel Roveri.

 

Allan Porto, Allan Kardec e Gilberto Figueiredo foram sacrificados, mas ele realmente sai como grande vencedor e como o grande líder da política mato-grossense.

 

MidiaNews – Há chance de Mauro voltar a disputar o Governo em 2030?

 

Vinicius de Carvalho – Esse é o desenho do Mauro. O projeto dele realmente é um retorno ao governo do Estado em 2030. Vamos ver como as coisas vão caminhar até lá, porque tem outros nomes como o Max Russi. Mas esse é o desenho.

 

MidiaNews – José Medeiros estava em terceiro nas principais pesquisas e acabou eleito. O que aconteceu?

 

Vinicius de Carvalho – Muita gente fala de surpresas, mas a surpresa foi essa quantidade. Eu sempre colocava: pode ser qualquer um desses quatro [Mauro, Medeiros, Janaina e Fávaro], com leve vantagem para Janaína, mas no final as pesquisas já vinham apontando esse crescimento do Medeiros.

 

No começo da campanha, era uma incógnita como esse eleitorado bolsonarista se distribuiria. Dos sete candidatos mais competitivos para o Senado, cinco acessavam esse eleitorado: Medeiros, Mauro, Galvan, Margareth e a própria Janaina.

 

Acabou realmente se concentrando no Medeiros como primeiro voto. O bolsonarismo tem esse perfil do antipetismo de chegada, as pesquisas têm dificuldade em captar. É um eleitorado desengajado, mas no final eles acabam tomando a decisão.

 

Como são bolsonaristas e antipetistas, acabam escolhendo o candidato com esse perfil. Isso favoreceu o Medeiros, mas me impressionou a quantidade. Essa ultrapassagem foi uma onda muito forte.

 

Desde que a emenda da reeleição começou, em 1998, tivemos seis eleições em que o governador disputou a reeleição. Em cinco delas o governador ganhou, a exceção foi a do Pedro Taques.

 

É uma tendência forte do nosso campo político a reeleição. E outra tendência é ter surpresa em eleição de duas vagas para senador: ganha um político favorito e a outra vaga é uma surpresa.

 

Em 2002, Jonas Pinheiro favorito, Sérys Slhessarenko foi a surpresa. Em 2010, Blairo o favorito e Pedro Taques foi a surpresa. Em 2018, Jayme Campos favorito e Selma Arruda foi a surpresa. Agora, Mauro favorito e o José Medeiros a surpresa. Manteve esse padrão.

 

Ele partiu de baixo nas pesquisas. O Medeiros era muito desconhecido, vinha de duas eleições para deputado federal: 82 mil votos. Boa votação, mas nada como 205 mil da Coronel Fernanda. Veio correndo por fora, acabou realmente tendo essa adesão forte do bolsonarismo e sendo eleito.

 

MidiaNews – O que pesou para Janaina Riva? Quais foram os erros da campanha?

 

Vinicius de Carvalho – Primeiro, foram todos contra ela. Tem esse componente do machismo? Tem, isso é fato. Mas tem essa questão política mesmo, porque Medeiros e Janaína estavam na mesma chapa do Wellington.

 

Outro erro da Janaína é a troca de suplentes e a forma como foi conduzida. Vieram dois suplentes muito complicados

 

O Medeiros deveria dobrar no Senado com a Janaína, ele acabou realmente esvaziando a Janaína e indo para o Mauro. Nessa reta final houve a dinâmica Pivetta-Mauro e Medeiros, essa chapa realmente aconteceu. Mas a Janaína tem seus erros.

 

São dois pontos que foram em nível nacional, duas variáveis importantes: renovação e corrupção. Vários clãs políticos tiveram derrotas. A família Sarney, depois de 72 anos, vai ficar sem ninguém no Congresso Nacional. Houve uma renovação de nomes e o clã Riva estava aí há oito mandatos, vão ficar fora da Assembleia depois de 32 anos.

 

Outro erro da Janaína é a troca de suplentes e a forma como foi conduzida. Vieram dois suplentes muito complicados, especialmente o Danilo Trento, com passivo complicado judicial. Isso pesa.

 

Ela tinha montado a primeira chapa com a Ana Cristina Felder. Delegada e mulher. Um grande apelo da Janaína era o eleitorado feminino, essa conjuntura era muito favorável a ela e a retirada da Felder e a forma como isso aconteceu foi muito ruim.

 

Não podemos também negar que o Wellington virou um peso para baixo. Ela foi a parceira mais fiel do Wellington e esse desempenho dele também puxou para baixo.

 

Outra coisa que pesou: o MDB. Ela, como presidente do MDB, não conseguiu montar chapa de federal. Muito ruim. E a chapa de estadual acabou ficando abaixo do esperado, teve uns 250 mil votos e se projetava 300 ou 320 mil.

 

 

MidiaNews – O resultado das urnas mostra cansaço do eleitor com os clãs políticos?

 

Vinicius de Carvalho – Da velha política eu não digo, porque muitos vencedores aplicaram as mesmas práticas e porque surgem novos clãs. O clã Mendes, o Mauro se elegeu e conseguiu ainda eleger a esposa junto. Surgem novas elites: o clã Mendes e o clã Brunini, com Samantha eleita.

 

O Mauro foi um governo que tem entregas, tem resultados de obras de infraestrutura, investimento público, que tem um peso econômico e político muito grande. Na educação também tem bons resultados, no desenvolvimento econômico, crescimento do PIB. São novas elites funcionais.

 

Políticos e fraldas têm que ser trocados de tempos em tempos pela mesma razão, eles ficam sujos. Eles vão manchando, vão desgastando e é necessário vir nome novo.

No caso da Janaína, acho que ela é um bom nome porque é muito forte para a próxima eleição. Vai ter que achar realmente o melhor caminho: se é Senado, governo ou deputada federal, mas ela não encerra a carreira aqui.

 

MidiaNews – Como avalia a renovação da Assembleia, com seis novos deputados?

 

Vinicius de Carvalho – Eu falava que ficaria entre seis e sete e acabou dando seis, por cinco deputados que perderam e teve a vaga da Janaina Riva.

 

Max sai muito fortalecido. É um partido que até um ano atrás tinha zero deputados, hoje tem três e, daqui a alguns meses, vai ter seis

 

Tivemos Ulysses Moraes, a Alessandra Ferreira, Samantha Iris, Alcino Barcelos, Adelcino Lopo e Léo Bortolini. Esses nomes estavam todos no radar.

 

A derrota ou a vitória dos deputados, na maioria dos casos, ficou definida naquele momento da escolha do partido. Botelho perde com uma grande votação porque a chapa do MDB virou uma chapa da morte. Do Republicanos também, que a gente falava que era uma chapa da morte, acabou que perdeu o Paulo Araújo.

 

A maioria dos deputados errou nessa escolha de partido. Em outros partidos, estariam eleitos, erraram ali naquele mês da janela, entre março e abril. O Botelho se tivesse ficado parado no União Brasil, estaria reeleito.

 

O Sebastião Rezende fez 30 mil e foi reeleito. Botelho fez 37 mil e não foi. No PSD, o Wilson ganhou com 19 mil, mas Botelho deu esse ‘pulo’ para o MDB e acabou sendo um erro político.

 

MidiaNews – Como Max Russi sai dessa eleição?

 

Vinicius de Carvalho – Muito forte. O Max e o Lúdio em qualquer partido estariam eleitos porque alcançaram o quociente sozinhos. E ele fez uma grande bancada, com seis, mas tem outros espalhados que ajudou também por outros partidos, que articulou, chegando mais forte ainda para disputar a Mesa.

 

O Max sai como o nome para o Governo do Estado, sai com muita autonomia, muita independência, é um nome forte para a próxima eleição.

 

O Max tem a expectativa de ser ungido como candidato ao governo pelo Pivetta, pelo grupo do governo. O Mauro não voltaria, nem o Fábio Garcia, porque o número dois é o Fábio Garcia. Se nem Mauro nem Fábio Garcia vierem, o Max tem a expectativa de ser um candidato oficial do grupo.

 

Ele sai muito fortalecido. É um partido que até um ano atrás tinha zero deputados, hoje tem três e, daqui a alguns meses, vai ter seis. Ele sai como um dos grandes atores políticos para 2030.

 

MidiaNews – Na Câmara Federal, o que mais surpreendeu?

 

Vinicius de Carvalho – O Republicanos confere, com o Juarez Costa. A Rosa Neide conseguiu pela Federação do PT, no 80/20. O Podemos acabou confirmando, com o Coronel Roveri. O União Brasil/PP confirmou as duas, Fábio e Virginia, e o PSD acabou não alcançando.

 

Pivetta é um governador que tem um perfil político mais discreto, mais austero, mais fechado

 

Abrindo essa vaga, deu a terceira para o PL com o Thiago Boava. Foi a única coisa que saiu um pouco do radar, mas não foi uma surpresa. O que surpreendeu foi essa votação da Coronel Fernanda, que realmente foi um marco, com 205 mil votos.

 

Ela conseguiu atender às três grandes bases sociais do bolsonarismo: segurança pública, porque ela é policial; igrejas evangélicas, porque ela é evangélica da Assembleia de Deus; e também empresários, especialmente do agronegócio, porque ela trabalhou pela Moratória da Soja. E ela colou muito no Flávio e no Medeiros.

 

Os oito eleitos ficaram com 45% dos votos válidos. Quase metade dos votos válidos ficou nesses oito eleitos, está havendo uma concentração, uma redução de partidos.

 

 

MidiaNews – O PL também está entre os grandes vencedores da eleição?

 

Vinicius de Carvalho – Acho que é um pódio dividido aí: o Mauro e o PL. O Mauro também teve resultados expressivos.

 

O bolsonarismo e o Mauro Mendes são os dois grandes vencedores dessa eleição, com certeza.

 

MidiaNews – Por que Lula perdeu votação em Mato Grosso em relação a 2022?

 

Vinicius de Carvalho – Foi essa questão da renovação, eu acho. Ser governo hoje, especialmente governo federal, tem ônus e bônus.

 

O ônus de ser governo é muito grande por essa questão do envelhecimento, da [falta de] renovação, dos escândalos de corrupção que continuaram acontecendo. Quem está no governo acaba ficando com a cara do sistema e o PT está no poder há muito tempo, se oligarquizou, envelheceu.

 

O PT se fechou. Ao passo que os bolsonaristas, não. Renovam-se o tempo todo, ‘brota’ gente que a gente não sabe nem quem é, Lucas Pavanato, Eduarda Campopiano…

 

E tem a questão do agro também aqui em Mato Grosso. A grande polêmica do agro com o Lula não é tanto econômica, é mais a política indígena com a demarcação de terras indígenas, fundiária, reforma agrária, ambientalismo com Ibama e ICMBio e a questão armamentista.

 

MidiaNews – O que esperar do novo mandato de Pivetta?

 

Vinicius de Carvalho – Uma grande incógnita é: como é que o Pivetta vai montar o secretariado? Vai trazer gente de Lucas, da região norte do Estado, das empresas dele? E qual vai ser a composição com a Assembleia, porque o Mauro compôs pouco com a Assembleia no nível de secretariado.

 

Ele é um governador que tem um perfil político mais discreto, mais austero, mais fechado. Não vai para grandes embates como o Mauro. Vai ser um governo mais sóbrio, mais tranquilo, mais discreto, de menos confronto.

 

Vejo que vai ser um governo realmente mais apagado, mais administrativo e menos político. Até porque o Pivetta se apresentou no âmbito das elites políticas e econômicas muito como o seguinte: “Eu sou o Michel Temer de Mato Grosso.”

 

A grande incógnita é o quanto de liberalismo e da agenda neoliberal ele vai implementar. Vai acabar com a RGA dos servidores? Porque o Estado de Mato Grosso é um dos poucos que paga recomposição salarial.

 

 

Para quem quer fazer essas reformas impopulares, é um momento ímpar. Você tem um governador com esse perfil mais austero, mais sério e em fim de carreira. Não vejo o Pivetta disputando eleição em 2030, acho que realmente ele termina e se aposenta como governador do Estado.

 

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