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A decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de participar do debate da TV Bandeirantes de domingo (18) deixou aliviado um naco de eleitores que não se sabe exatamente onde habita, como vive, do que se alimenta. Mas que existe, existe. São os adictos de embates do tipo entre candidatos.
A eleição de 2026 corria o risco de acabar sem enfrentamento direto entre os dois principais postulantes. Era como decidir um campeonato de mata-mata sem final.
Já tinha gente pedindo para as emissoras fazerem como nos tempos da pandemia e, em vez de cadeiras vazias, exibirem confrontos históricos de eleições passadas. Era a chance de rever Leonel Brizola chamar Paulo Maluf de “filhote da ditadura” na cara dele e em rede nacional.
Filho de outro filhote do regime, Flávio chegou a dizer que não iria ao confronto da Band. Agora mandou dizer que topa o duelo. Não na Ceilândia em frente ao lote 14, mas num estúdio do Morumbi, em São Paulo, que já viveu tempos de glória em outras disputas.
Os adictos podem pegar a pipoca.
A tática do WO
No primeiro turno foi Lula (PT) quem decidiu se preservar. Tinha como argumento a disparidade de armas, e de tempo de resposta, em duelos de quatro ou cinco adversários contra um.
O presidente liderava as pesquisas e foi orientado a não dar sopa para o azar nem às pegadinhas que os rivais plantariam no estúdio para colher nas redes.
Agora o jogo inverteu. Com Flávio à frente, tudo o que Lula quer é um duelo tete-a-tete contra um adversário que promete ajuste fiscal sem cortes em programas sociais. É a chance para o incumbente mostrar que dois e dois não são cinco.
Sem Renan Santos (Missão) no calcanhar, o Zero Um tem a chance, por sua vez, de se desfazer da fama de “Flavinho Desmaio” e mostrar que sabe se comportar sem o pai por perto. A última vez que participou de um programa do tipo, na corrida pela Prefeitura do Rio, em 2016, ele passou mal e quase foi atendido pela adversária Jandira Feghali (PCdoB), que é médica. Foi o pai quem não deixou.
De lá pra cá o filho do Jair construiu uma persona que não se sabe como se comporta fora do cercadinho ou se aguenta dois minutos de porrada retórica. A palidez com que encarou algumas perguntas incômodas, na terça-feira (13), sobre o caso Master, na GloboNews, é uma prévia.
O que está em jogo
Um debate não é só um teste sobre a capacidade de um candidato ou candidata apresentar uma proposta com clareza sem apoio do teleprompter. É uma prova em tempo real de traquejo e capacidade mental de atuar longe da zona de conforto e do alcance das cadeiras do estúdio. O jogo psicológico é a maior das atrações.
Em 2002, embates do tipo ajudaram Lula a formatar a imagem de candidato paz e amor diante de José Serra (PSDB). Em 2006, ele pagou caro por esnobar o confronto no primeiro turno com Geraldo Alckmin (PSDB), hoje seu vice. E, em 2014, quem não tinha percebido a gravidade da situação se espantou com a virulência da conversa entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB).
A diferença é que até então o alcance das páginas oficiais e de apoio aos candidatos não faziam frente, ainda, com o canhão de audiência da TV aberta. Essa janela não é mais única. Mesmo assim, segundo uma pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (9), 8 em cada 10 brasileiros consideram “muito importante” que Lula e Flávio participem de programas do tipo.
O mesmo índice (82%) de entrevistados diz que tem time definido e não vai mudar o voto mesmo que seu candidato confunda o debate com a Dança dos Famosos. Outros 18%, porém, afirmam ter alguma chance de rever a decisão.
É um latifúndio para uma campanha que pode ser definida por menos de 3 milhões de votos.

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