Se Flávio for presidente, Moraes estará fora do STF, diz Eduardo Bolsonaro

“E com o Alexandre de Moraes a questão é muito pessoal. E eu também não vejo o Flávio Bolsonaro presidente conseguindo governar com o Alexandre de Moraes da Suprema Corte”, seguiu Eduardo, que foi condenado a mais de 4 anos no regime semi-aberto por coação de autoridades pela campanha que fez junto a autoridades dos EUA por punições aos juízes do STF. Na semana passada, Moraes mandou expedir o mandado de prisão de Eduardo.

Eduardo mora nos EUA desde fevereiro de 2025 e, caso seu irmão seja eleito, o grupo político estuda a possibilidade de aprovar no Congresso ainda durante a transição uma anistia para cerca de dois mil bolsonaristas condenados ou multados, incluindo o ex-deputado. Se a saída não for possível, aliados bolsonaristas afirmam que Flávio daria indulto ao irmão e ao pai, além dos demais presos, no dia da posse, 6 de janeiro.

Questionado sobre expectativas de voltar ao Brasil, Eduardo condicionou a volta à extinção da pena. “Não vou puxar cadeia sendo inocente”. E afirmou ainda que Moraes é um “tirano” e uma “pessoa totalmente fora de controle”.

Eduardo sobre Milei: “não vamos fazer acordo, vamos tomar um café”

Eduardo Bolsonaro dividia o palco do evento com o presidente da Argentina Javier Milei, seu aliado. Ambos trocaram mensagens ontem (13) e combinaram de se falar, embora não houvesse nenhuma pauta específica ou um encontro formal acertado. Segundo Eduardo, sua relação com Milei é tão informal que se o irmão ganhar, “não vamos fazer acordo, vamos tomar um café como amigos e dali vai sair benefício para os dois povos.”

Ele é cotado como o principal nome para chanceler no governo de Flávio, embora o centrão tente impedir que o plano se concretize e ventile nomes que seriam mais palatáveis para o mercado, como o do ex-presidente do Banco dos BRICS, Marcos Troyjo. No núcleo duro bolsonarista, porém, o nome de Eduardo tem sido visto como incontornável e, se não se sentar na cadeira de ministro de Relações Exteriores, ele se converteria em um “chanceler sombra”, e “manietaria qualquer um que fosse o titular da pasta”, nas palavras de aliados. Diante da imprensa, porém, ele evitou especulações sobre o assunto e disse que “Flávio está muito ciente de que ainda não tem nada ganho”.

Eduardo foi intensamente tietado por veículos de imprensa da direita da América Latina e dos EUA ao chegar ao evento. Ele repetiu que o governo do irmão se inspira no plano de encarceramento em massa do salvadorenho Nayib Bukele para combater o crime organizado e que a vitória do irmão representaria “o fim da censura da Suprema Corte” no Brasil. Ainda afirmou que estão “otimistas” na vitória mas que o voto no Brasil ocorre em urnas eletrônicas que não seriam “verificáveis”.

Questionado sobre o fundo de US$ 1 milhão liberado pelo governo americano contra o STF apenas 5 dias antes do primeiro turno, ele negou que saiba quem são os destinatários dos valores e disse não ver interferência eleitoral de Washington atualmente. Como o UOL mostrou, o nome de Eduardo era citado em documentos americanos que justificaram a liberação dos recursos públicos dos EUA.

“Interferência teve em 2022 (…) a gente teve o diretor-geral da CIA indo ao Brasil (…) para nos ameaçar ‘ou vocês reconhecem o resultado da eleição, pouco importando se vai ser algo limpo ou não, ou então a gente vai sancionar o país. ‘Isso daí é que foi grave. Então o Brasil já sofreu uma interferência internacional. O que eu vejo agora é justamente o oposto”, disse Eduardo.

O discurso de Milei

Em seu discurso de 20 minutos, Javier Milei se colocou como um “farol para a liberdade” na América Latina em um momento em os vizinhos estavam sob comando de esquerdistas. “Gostaria de falar sobre a mudança que nossa região está atravessando”, afirmou, pouco depois de receber um prêmio dos organizadores do evento. Na sequência, fez uma lista dos governos da região — como Chile, Colômbia, Peru, Bolívia e Honduras —, que, depois de sua eleição na Argentina, em 2023, vinham virando à direita.

Ao final da enumeração, citou que esperava que “nos próximos dias”, “meu querido amigo Flávio Bolsonaro, com a força do céu, vai tirar esse ditador comunista Lula da Silva” do poder no Brasil. Enviou ainda “cumprimentos” ao pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao qual chamou de “Jair querido”.

“E agora, meu querido amigo Flávio Bolsonaro, que com as forças do céu do seu lado, tenho certeza de que em poucos dias o encontraremos novamente à frente da ditadura política de Lula da Silva, pai do Foro de São Paulo. Quero aproveitar esta oportunidade para saudar o Eduardo, irmão de Flávio, aqui presente conosco, enviando uma mensagem de amor e apoio tanto a Flávio como ao seu pai, meuamigo, o presidente Jair Bolsonaro, que continua indigna e vingativamente encarcerado”, disse.

De smoking, gravata borboleta e tênis preto, Milei advertiu: “Ganhar é só o primeiro passo, temos que fazer da América Latina grande outra vez”, em uma paráfrase do slogan do movimento trumpista MAGA. Agradeceu nominalmente a Trump por sua atuação decisiva na Venezuela que, segundo Milei, estaria deixando de ser “uma ditadura socialista”, embora siga no poder o grupo chavista que governava junto a Nicolás Maduro, removido militarmente de Caracas em janeiro deste ano. E defendeu as políticas de seu governo, de choque econômico e fiscal, redução do Estado e da inflação.

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