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Se questionadas por um ou outro jornalista em ambientes não controlados, as candidaturas deslizam para cá e para lá sem responder o que precisa ser respondido: sobre este tema aqui, que muda a vida de tanta gente, qual é a sua proposta? Alguma voz diz lá do fundo que o tempo acabou, que existe um atraso para o próximo compromisso e a história fica por isso mesmo. Isso acontece de todos os lados ideológicos. Se décadas atrás já era possível evitar o confronto olho no olho, hoje essa fuga tem se tornado quase rotina. Do lado de cá, a sensação é que as instituições legislam em analógico para uma sociedade quase totalmente digitalizada.
É urgente criar espaços qualificados de debate político entre as visões divergentes, especialmente num tempo em que as infraestruturas digitais favorecem a formação das chamadas câmaras de eco, nas quais consumimos e compartilhamos informações que reforçam nossas próprias visões de mundo, quase sempre sem entrar em contato com o contraditório. Cada grupo se refugia em sua bolha, seja por estratégia, seja pela força esmagadora do algoritmo, e é isso. E será isso? Pelo bem comum, não deveria. Não pode ser.

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