Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) age por cálculo pessoal e tenta “um último suspiro” de sobrevivência política ao se aproximar do presidente Lula (PT), avaliou o colunista Alexandre Borges no UOL News – 2ª edição, do Canal UOL.
O comentário ocorreu em meio ao debate sobre uma iniciativa ligada à Política Nacional de Segurança Pública e às disputas entre União e estados na implementação do Sistema Único de Segurança Pública, além de propostas que voltaram ao radar do Senado na reta final da eleição.
É lamentável e uma questão completamente paroquial e pessoal do Alcolumbre. Ele não foi bem, seus candidatos não emplacaram na eleição, e está muito enfraquecido.
Ele está fazendo o que pode agora, nos estertores do mandato dele como presidente do Senado, para tentar emplacar alguma coisa com o Lula. Alcolumbre tenta um último suspiro para conseguir tentar renovar o mandato dele. Alexandre Borges, colunista do UOL
Para Borges, o efeito colateral é a discussão de temas relevantes “de afogadilho”, com embates de força e cálculo eleitoral ocupando o lugar do mérito. Ele citou, no mesmo raciocínio, uma sequência de votações e propostas que se acumulam no Congresso.
Estamos discutindo tanta coisa importante, com canetada em legislação trabalhista, a quantidade de PECs, Desenrolas e perdões. Agora, é segurança pública todo dia.
O mérito da discussão, que deveria ser o mais importante, é o que menos aparece. É sempre jogo de força, o que dá mais voto. Alexandre Borges, colunista do UOL
Ele disse que a instabilidade pode aumentar porque o Congresso eleito para o ano seguinte tende a ter outra correlação de forças, com chance de revisão do que for aprovado agora. Na avaliação do colunista, isso alimenta incerteza para governos e para quem tenta planejar o país no curto prazo.
Nada impede que ano que vem, sob o comando de, por exemplo, Arthur Lira e um Senado totalmente diferente, haja novas leis que mudem o espírito dessas leis aprovadas. O Brasil volta a essa total insegurança política e jurídica de não sabermos planejar. Alexandre Borges, colunista do UOL
No debate sobre segurança, Borges também apontou o timing da discussão sobre maioridade penal como exemplo de pauta que poderia ter sido tratada com mais racionalidade, mas reaparece em clima eleitoral. Para ele, o tema é empurrado por oportunismo e pode ser revertido ou remodelado mais adiante.
É uma discussão que poderíamos ter racionalmente e já deveríamos ter tido várias vezes. E teremos agora dez dias antes do segundo turno.
Não é assim que se faz política, por toda essa sensação de oportunismo político e pelo medo de tudo que está sendo decidido agora pode ser regulamentado ou revertido a partir do ano que vem. Alexandre Borges, colunista do UOL
Farah: Discutir maioridade penal na PEC da Segurança é sintoma do futuro
É uma coisa impressionante como vai funcionar esse novo Congresso, uma vez que se via o PT correndo para tentar sanar uma coisa que sempre foi pétreo para o partido: a defesa da maioridade penal aos 18 anos. O PT já vem propondo um recuo ali. Você imagina como serão esses próximos quatro anos, seja o PT no poder ou não, mas dentro da Câmara e do Congresso, como será difícil essa disputa entre progressistas e extremamente conservadores. Tatiana Farah, colunista do UOL
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