As mensagens extraídas pela PF mostram que os dirigentes abriram portas para o Master nos estados e que o sucesso nas captações era atribuído a eles. Com base nesse material, a PF pediu busca e apreensão em endereços ligados aos dois políticos, mas a operação não chegou a ser autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Procurado, ACM Neto classificou os vazamentos como “seletivos, manipulados e fora de contexto” e disse que há tentativa do governo federal de provocar desgaste político. Rueda afirmou que sua relação com o Master era “eminentemente profissional” e que os serviços advocatícios foram prestados com emissão de notas fiscais e recolhimento de impostos.
“Negócio vai ser gigante”
Rueda e Vorcaro começaram a se falar em novembro de 2023. No dia 12, Fernando Mascarenhas, diretor comercial do Master, avisou o banqueiro de um contato do político: “Rueda me ligou aqui, vai tá no banco amanhã? Good news”.
Vorcaro marcou um encontro com Rueda para o dia seguinte. Dois dias depois, Mascarenhas pediu autorização para uma viagem a estados onde o Master queria captar com institutos de previdência.
“Aquele nosso amigo marcou de irmos segunda final da tarde em Porto Alegre e terça em Rondônia e Amazonas! Posso confirmar?”, escreveu. Vorcaro respondeu que organizaria a logística.

A viagem foi feita no jato do ex-banqueiro. Entre os passageiros, estavam Mascarenhas, Rueda e dois intermediários, chamados Ricardo e Raphael. O roteiro previa reuniões em Rondônia e Manaus.
Na noite de 21 de novembro, Mascarenhas comemorou: “Irmão, o negócio vai ficar gigante, nosso amigo até final do ano resolve 1,2 b”. “Foguete”, respondeu Vorcaro.
“Apaga essas mensagens”
Em abril de 2024, a captação no instituto de servidores do Amapá avançou. “Amapá, confirmado 400”, escreveu Mascarenhas, referindo-se à captação de R$ 400 milhões com um instituto no estado. “Quero ver nosso amigo apertar o enter”, respondeu Vorcaro.
A aprovação saiu em 12 de julho. No mesmo dia, porém, uma reportagem revelou uma crise na Caixa Asset envolvendo títulos do Master.
O tesoureiro do banco, Alberto Felix, então avisou a Vorcaro que a operação não sairia naquele dia “por causa da notícia da CEF”. “A reunião lá do Amapá está acontecendo. Mas o Rueda que disse que ia segurar as operações”, escreveu Felix.
Às 11h45, Rueda, que apagou 10 mensagens seguidas na conversa, escreveu a Vorcaro: “Apaga essas mensagens”. Uma hora depois, Mascarenhas avisou: “Aprovado 200 M agora no Amapá. Nesse minuto”.

No mesmo dia, Mascarenhas enviou a Vorcaro uma lista das maiores captações em andamento: “400 Amapá, 350 RJ, 250 Amazonas, 160 Campos dos Goytacazes, 500 Maricá, 100 BH, 200 Alagoas”.
Ainda em julho, Alberto Felix perguntou sobre a comissão da “consultoria do Ricardo/Raphael” pela operação do Amapá. “Deu 8,9 mm. Já pediram para pagar”, escreveu. No dia seguinte, Vorcaro autorizou uma nota de R$ 8 milhões.

A consultoria é atribuída a Ricardo Siqueira Rodrigues, o Ricardo Gordo, apontado pela PF como lobista de Vorcaro no Rioprevidência. Raphael é o intermediário que relatou a Felix que Rueda “ia segurar as operações”.
Em 1º de agosto, a tesouraria registrou: “Pagamos 11 mm contas a pagar, comissão Amapá”. Àquela altura, a Amapá Previdência já havia transferido R$ 300 milhões ao Master.

Comissão de 10%
As mensagens mostram que a consultoria de Ricardo Gordo praticava comissão de 10% com o Banco Master.
É o mesmo percentual que Vorcaro, na proposta de delação, diz ter acertado com Rueda e ACM Neto sobre os aportes dos institutos de previdência. As mensagens, porém, não mostram pagamento de comissão diretamente aos dois dirigentes do União Brasil.

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