O Exército das fake news

O deputado federal André Janones sacudiu o segundo turno da eleição e expôs as fragilidades do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao colocar em ação o canal de WhatsApp “Exército do Lula”.

O canal virou um quartel-general virtual com 4,6 milhões de apoiadores do presidente dispostos a republicar conteúdos sem questionamento e sem filtro, na reta final da campanha.

Dado o histórico de Janones, o canal gerou imediata preocupação. O deputado é conhecido por usar um linguajar agressivo, manipular informações e espalhar fake news para atingir seus objetivos políticos.

“Janones entendeu muito bem como funcionam as plataformas digitais, o que elas impulsionam para gerar mais interação. Mapeou essa lógica e passou a usá-la, e isso deu muito certo em 2022. Foi ele mesmo quem chamou esse método de ‘janonismo cultural’, numa brincadeira com a expressão ‘marxismo cultural’, usada pela direita bolsonarista contra a esquerda”, diz a cientista política Helga de Almeida, professora da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

O bolsonarismo reagiu com o envio de pedidos ao TSE e com a criação da Tropa do Flávio, que atingiu 1,8 milhão de seguidores.

Mas quem mais saiu chamuscado pela ação de Janones foi a Justiça Eleitoral, cuja credibilidade já estava no chão, dizem Duda Teixeira e Guilherme Resck em “O Exército das fake news”, reportagem de capa da nova edição de Crusoé.

Outros destaques de Crusoé

Na matéria “Que direita é essa?”, Wilson Lima mostra como o PL, partido de Flávio e Jair Bolsonaro, que elegeu 121 deputados, transforma a Câmara em um território conservador.

A bancada representa quase um quarto da Câmara e supera, em tamanho, qualquer bancada partidária eleita desde a redemocratização, à exceção dos grandes resultados obtidos pelo antigo PMDB nos anos 1980.

Contudo, o radicalismo de alguns parlamentares preocupa Centrão.

Colunistas

Privilegiando o assinante de O Antagonista+Crusoé, que apoia o jornalismo independente, também reunimos nosso timaço de colunistas.

Nesta edição, escrevem Roberto Reis (O medo já mora no Planalto), Letícia Barros (A arrogância fatal da esquerda), Márcio Coimbra (A arapuca do alinhamento automático), Dennys Xavier (Votar nulo faz sentido), Wilson Pedroso (Fim da 6×1 ajuda, mas não basta para Lula), Bruno Soller (O xeque-mate de Sánchez), Josias Teófilo (O eixo do conservadorismo brasileiro) e Rodolfo Borges (O rebaixamento anunciado).

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