DA REDAÇÃO
O senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) afirmou não ver que a participação de cantores, atores e influenciadores digitais terá peso pró-Lula (PT) na decisão do eleitor na disputa presidencial do segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O eleitor é autônomo, não é conversinha de cantor, de influencer, de político que vai mudar a cabeça do eleitor
Para Mendes, o eleitorado está cada vez menos propenso à influência de personalidades públicas.
“Hoje em dia está mais provável do que nunca o eleitor ser autônomo, não é conversinha de cantor, de influencer, de político que vai mudar a cabeça do eleitor”, disse.
A declaração de Mendes ocorre diante da mobilização de artistas, jovens e influenciadores das redes sociais em apoio à candidatura de Lula.
Entre os nomes que ganharam projeção na disputa estão os influenciadores Ana Elisa (PT-MG), estudante de direito de 21 anos, e Jones Manoel (PSOL-PE), historiador. Ambos foram eleitos deputados federais como o segundo mais votado nos seus Estados.
A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, conta com o apoio de deputados federais eleitos que também atuam como influenciadores digitais, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que tiveram cerca de 3 milhões de votos para a Câmara dos Deputados.
Voto em MT
Mendes citou o resultado das eleições em Mato Grosso para sustentar sua avaliação de que o eleitor não segue necessariamente uma orientação política específica. Segundo ele, a distribuição dos votos entre candidatos de diferentes partidos no Estado demonstra a autonomia do eleitorado.
“Tanto que aqui em Mato Grosso é um exemplo clássico e notório disso. O eleitor foi muito autônomo para escolher gente do 22, gente do Republicanos, do União Brasil, e não se pautou por onda e nem por conversa”, afirmou.
“Vai ganhar essa eleição, primeiro, quem gerar mais conexão”, acrescentou.
Segundo o senador eleito, a disputa passa pela mobilização de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno e pela conquista de votos de pessoas que não escolheram nem Lula e nem Flávio Bolsonaro na primeira votação.
Escolha consolidada
Mendes também questionou a capacidade de personalidades públicas de alterar preferências eleitorais já consolidadas. Na avaliação dele, a exposição de candidatos nas redes sociais não significa, necessariamente, mudança na intenção de voto.
Para sustentar o argumento, o senador eleito citou pesquisas segundo as quais 97% dos eleitores que escolheram Lula ou Flávio Bolsonaro não pretendem mudar de candidato. Ele não citou a fonte do levantamento.
Mendes afirmou que a direita não ficará parada diante da estratégia digital da campanha petista. Segundo ele, os dois campos políticos precisam disputar a atenção do eleitor, mas a divulgação antecipada das táticas pode facilitar a reação dos adversários.
“Não é uma estratégia como outra qualquer, quando ela se torna pública, por isso que eu não divulgo as minhas estratégias, porque o adversário copia, o adversário bloqueia, o adversário faz algo no mesmo sentido”, afirmou.
O senador eleito acrescentou que seu grupo político também pretende desenvolver ações em Mato Grosso para ampliar a vantagem eleitoral de Flávio. “Não tem nada de brilhante nisso, mas nós também vamos fazer isso no Mato Grosso, e vamos aumentar a diferença”, disse.
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