O potencial de consumo das famílias brasileiras foi estimado em R$ 8,2 trilhões em 2025, crescimento real de aproximadamente 3% em relação ao ano anterior. O levantamento IPC Maps 2025 revela que boa parte desse dinheiro está concentrada nas maiores cidades do país, especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste. Entre as capitais, São Paulo lidera o ranking, enquanto Cuiabá apresenta potencial de R$ 31 bilhões.
Segundo o estudo, as 27 capitais brasileiras concentram aproximadamente R$ 2,28 trilhões em potencial de consumo. Desse montante, R$ 1,74 trilhão está nas dez capitais com maior capacidade para consumir, o equivalente a 76% do total das capitais.

Potencial de Consumo
São Paulo aparece na primeira posição, com R$ 605,8 bilhões, seguida pelo Rio de Janeiro, com R$ 323,3 bilhões, e Brasília, com R$ 154,4 bilhões.
Os valores representam estimativas de quanto as famílias podem gastar em produtos e serviços, considerando fatores como renda, população e condições socioeconômicas. Isso significa que o potencial de consumo não corresponde, necessariamente, ao dinheiro efetivamente gasto.
As 10 capitais com maior potencial de consumo
Valores estimados em bilhões de reais
R$ 605,8 bi
R$ 323,3 bi
R$ 154,4 bi
R$ 129,7 bi
R$ 107,3 bi
R$ 101,4 bi
R$ 92,2 bi
R$ 83 bi
R$ 74,4 bi
R$ 68,5 bi
Fonte: IPC Maps 2025 / Brasil em Mapas.
O estudo também revela que os gastos com veículos próprios estão entre as despesas de maior peso no orçamento familiar, com potencial estimado em R$ 886 bilhões.
Em relação às classes econômicas, as famílias das classes B e C representam aproximadamente 74% do potencial de consumo nacional. A classe A responde por cerca de 16%, enquanto as classes D e E representam 9,8%.
Sudeste concentra quase metade do consumo brasileiro
A distribuição do poder de consumo pelo país apresenta diferenças expressivas. A região Sudeste lidera com R$ 3,92 trilhões, equivalente a 48,1% do total nacional.
Na sequência aparecem o Nordeste, com R$ 1,52 trilhão (18,6%), e o Sul, com R$ 1,51 trilhão (18,5%).
Já o Centro-Oeste concentra 8,8% do potencial de consumo brasileiro, enquanto a região Norte representa 6%.
Potencial de consumo por região — 2025

Fonte: IPC Maps 2025. Valores aproximados em R$ trilhões.
Entre os estados, São Paulo também ocupa a primeira posição, com potencial de consumo de R$ 2,2 trilhões. Minas Gerais aparece com R$ 837 bilhões, enquanto Rio Grande do Sul e Paraná registram R$ 546 bilhões e R$ 539 bilhões, respectivamente.
Centro-Oeste concentra R$ 720 bilhões em potencial de consumo
No Centro-Oeste, formado por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, o potencial de consumo das famílias foi estimado em R$ 720 bilhões em 2025, o equivalente a 8,8% do total brasileiro.
Goiás aparece entre os destaques estaduais, com aproximadamente R$ 296 bilhões em potencial de consumo. A capital Goiânia concentra R$ 74,4 bilhões desse montante.
Brasília, por sua vez, ocupa a terceira posição no ranking nacional de capitais, com R$ 154,4 bilhões, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.
Mato Grosso também integra esse mercado bilionário. Na capital Cuiabá, o potencial de consumo foi estimado em R$ 31 bilhões, enquanto Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, registra R$ 43,7 bilhões.

Cuiabá tem potencial de R$ 31 bilhões, mas famílias demonstram cautela
Apesar do potencial de consumo estimado em R$ 31 bilhões em 2025, dados mais recentes mostram um cenário de maior cautela entre os consumidores de Cuiabá.
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou, em setembro de 2026, a quarta queda consecutiva e chegou a 104,4 pontos. O resultado representa retração de 8,4% em relação a maio, quando o indicador estava em 114,4 pontos.
Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), analisados pelo Instituto de Pesquisa da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT).
Um dos fatores associados à redução da intenção de consumo é a dificuldade de acesso ao crédito. Segundo a pesquisa, 50,5% dos entrevistados afirmaram encontrar maior dificuldade para conseguir financiamentos, percentual superior aos 48% registrados em agosto.
O levantamento também mostra que 47,5% dos entrevistados reduziram a quantidade de compras em comparação com o ano anterior. Por outro lado, 40,1% disseram ter aumentado o consumo.
A cautela aparece ainda na aquisição de produtos de maior valor, como eletrodomésticos e eletrônicos. O indicador que avalia o momento para a compra de bens duráveis caiu de 102,1 pontos em agosto para 99,5 pontos em setembro, ficando abaixo da zona de confiança.
Entre os consumidores, 38,9% consideram o momento ruim para esse tipo de compra, enquanto 38,4% avaliam que o cenário é favorável.
Os resultados mostram que, embora Cuiabá tenha um mercado com potencial bilionário, parte dos consumidores demonstra resistência em assumir novas despesas, especialmente aquelas que dependem de financiamentos ou compromissos de longo prazo.