Depois de décadas como referência em brinquedos, rede entra em falência, fecha 735 lojas e desaparece do varejo físico porque não encontrou um caminho para competir com as vendas online

O Antagonista
O que você vai ver
  •  Qual rede de brinquedos pediu para liquidar 735 lojas nos Estados Unidos.
  •  Que compra alavancada décadas atrás deixou a empresa carregando uma dívida pesada demais.
  •  Por que nenhum comprador apareceu para manter a operação americana de pé.
  •  O que aconteceu com as operações da empresa fora dos Estados Unidos.
  •  Como a rede organizou a transição para fechar as lojas americanas.

Depois de décadas como a maior referência em brinquedos dos Estados Unidos, uma rede pediu à Justiça autorização para liquidar 735 lojas americanas, incapaz de encontrar um comprador que mantivesse a operação física de pé diante do avanço das vendas online.

Qual rede pediu para liquidar as lojas?

A empresa é a Toys”R”Us, que em março de 2017 pediu ao tribunal de falências autorização para liquidar o estoque e encerrar as operações em 735 lojas nos Estados Unidos, incluindo as unidades em Porto Rico. O presidente-executivo da companhia à época, Dave Brandon, afirmou que a empresa simplesmente não tinha mais apoio financeiro para manter essas operações funcionando.

Que compra alavancada pesou sobre a empresa?

Anos antes da falência, três investidores haviam comprado a rede usando apenas cerca de US$ 1,3 bilhão de recursos próprios, equivalentes a aproximadamente R$ 6,9 bilhões, e jogaram os outros cerca de US$ 5,3 bilhões necessários para fechar o negócio, cerca de R$ 28 bilhões, diretamente como dívida da própria empresa comprada, estrutura que limitou por anos a capacidade da rede de investir e competir.

O caso em números

Lojas liquidadas nos EUA735

Capital próprio dos compradores~R$ 6,9 bi

Dívida jogada na empresa~R$ 28 bi

Por que nenhum comprador apareceu?

Mesmo diante da liquidação anunciada, chegaram a existir negociações para combinar até 200 das lojas americanas com melhor desempenho às operações canadenses, numa tentativa de salvar parte da rede, mas nenhuma proposta concreta avançou o suficiente para evitar que a totalidade das 735 lojas entrasse de fato no processo de liquidação.

O que aconteceu fora dos Estados Unidos?

Enquanto a operação americana foi liquidada, a empresa buscou reorganizar com continuidade as operações no Canadá, na Ásia e na Europa Central, incluindo Alemanha, Áustria e Suíça, com processos de venda específicos para cada mercado. Austrália, França, Polônia, Portugal e Espanha seguiram avaliando opções próprias, enquanto a administração do negócio britânico, já anunciada antes, permaneceu em curso.

Como foi organizada a transição das lojas americanas?

A empresa firmou um acordo de serviços de transição por 60 dias para organizar o encerramento das operações nos Estados Unidos, com os escritórios Kirkland & Ellis, Alvarez & Marsal e Lazard atuando, respectivamente, nas frentes jurídica, de reestruturação e financeira, enquanto uma possível estrutura de serviços compartilhados para as operações internacionais remanescentes seguia em estudo.

Negócios que carregaram por anos o peso de uma dívida contraída na própria compra também aparecem no relato sobre o grupo de luxo que acumulou dívidas bilionárias ao comprar uma rival e acabou pedindo recuperação judicial.

Mais detalhes sobre o caso estão disponíveis no comunicado original arquivado na SEC.



Fonte


Publicado

em

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *