Depois de mais de um século de história, rede de livrarias fecha suas últimas cinco lojas e pede a própria falência

As vitrines de uma cadeia centenária saíram do circuito de compras em setembro de 2023. A Livraria Saraiva, fundada em 1914, fechou suas últimas cinco unidades físicas e desligou funcionários. Em outubro, a companhia pediu à Justiça que transformasse sua recuperação judicial em falência.

Por que a Saraiva chegou ao pedido de autofalência?

A Saraiva estava em recuperação judicial desde 2018, quando enfrentava uma dívida aproximada de R$ 674 milhões. O plano pretendia reorganizar os pagamentos e preservar a atividade, mas a empresa não conseguiu cumprir as condições necessárias à continuidade do negócio.

A redução das vendas, os custos das lojas e as dificuldades de financiamento agravaram o cenário. Em seu pedido, a companhia reconheceu que a receita restante não seria suficiente para manter as operações e pagar credores, fornecedores e trabalhadores.

Depois de mais de um século de história, rede de livrarias fecha suas últimas cinco lojas e pede a própria falência
Depois de mais de um século de história, rede de livrarias fecha suas últimas cinco lojas e pede a própria falência

Como ocorreu o fechamento das últimas cinco livrarias?

As últimas cinco lojas físicas deixaram de funcionar em setembro de 2023. Quatro ficavam no estado de São Paulo, incluindo a tradicional unidade da Praça da Sé, e uma operava em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

A rede havia alcançado mais de uma centena de livrarias em sua fase de expansão. Depois das demissões, ainda havia referência a vendas pela internet e por plataformas de terceiros, mas esses canais não ofereciam receita suficiente para sustentar a empresa.

A sequência dos acontecimentos ajuda a entender o encerramento:

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2018: início da recuperação judicial

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Setembro de 2023: fechamento das cinco últimas livrarias

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4 de outubro: apresentação do pedido de autofalência

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6 de outubro: decretação judicial da falência

O que a Justiça decidiu depois do pedido?

O pedido de autofalência foi apresentado em 4 de outubro de 2023. Essa solicitação não equivalia, por si só, à decretação judicial da falência: cabia à Vara responsável avaliar a situação da empresa e o descumprimento do plano de recuperação.

Em 6 de outubro, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Capital decretou a falência da rede. A decisão determinou providências sobre ações, execuções e a relação de credores, mantendo o administrador judicial.

Como uma livraria fundada em 1914 formou uma rede nacional?

A empresa começou em 1914, no centro de São Paulo, com uma loja ligada ao comércio de livros jurídicos. Conhecida inicialmente como Livraria Acadêmica, cresceu perto da Faculdade de Direito e depois ampliou a atuação para outros segmentos editoriais.

Com a expansão das lojas e a incorporação da rede Siciliano, em 2008, a Saraiva ganhou presença em shoppings e cidades de várias regiões. O histórico da Livraria Saraiva reúne essas etapas anteriores à crise financeira.

Três datas resumem as mudanças de escala e de situação judicial:

Período
Contexto
Resultado

1914
Fundação da livraria

Início em São Paulo, com livros jurídicos

Origem da rede

2018
Recuperação judicial

Tentativa de renegociar dívidas e preservar lojas

Reorganização financeira

2023
Encerramento e falência

Últimas cinco lojas fechadas; sentença em outubro

Fim da operação física

O encerramento das lojas físicas ocorreu antes da sentença de falência. No intervalo, a companhia ainda mencionava o comércio eletrônico e vendas intermediadas por outras plataformas, mas reconhecia que essas atividades não gerariam caixa suficiente para superar as dívidas.

É importante distinguir os contratos comerciais, os canais de venda e os ativos de uma empresa em falência. O desaparecimento de uma livraria física não prova, isoladamente, a situação de cada domínio, marca ou direito transferido posteriormente.

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Quais foram as consequências para funcionários e credores?

Os desligamentos ligados às últimas unidades encerraram a operação presencial da companhia. Para clientes, o desaparecimento das lojas também significou a perda de espaços de compra e circulação de livros que haviam feito parte da rotina comercial por décadas.

Na falência, os bens e os créditos passam a seguir regras próprias de apuração e pagamento, sob supervisão judicial. O encerramento de 109 anos de trajetória não eliminou automaticamente as obrigações pendentes: elas passaram a integrar o tratamento legal dos credores.



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