“Toda a rede conveniada tem essas convocações ou tipo convites com pressão de que a gente tem que ir. Mas é a primeira vez que foi usada a palavra convocação”, disse uma funcionária, que pediu para não ter o nome revelado. “Eu acho que isso está passando dos limites e é um assédio eleitoral.”
Convocar servidores para manifestações políticas sob ameaça de retaliação configura crime de coação eleitoral, assédio eleitoral e improbidade administrativa pelo uso indevido de cargo e recursos públicos, com pena de até 4 anos de prisão e multa, além de perda da função, suspensão de direitos políticos e inelegibilidade. Além disso, a prática descumpre o Estatuto dos Funcionários Públicos de São Paulo, que proíbe expressamente a coação ou o aliciamento de subordinados para fins político-partidários.
Um print enviado à reportagem mostra um card escrito “Bloco do 22”, com os dizeres “A educação vem pra rua”. A imagem enviada aos professores trazia um ponto de encontro para os servidores entre a alameda Ministro Rocha Azevedo e rua Peixoto Gomide.

Outra funcionária da prefeitura relatou desconforto de parte dos servidores que foram chamados para um evento com Nunes em uma casa na zona sul de São Paulo, no sábado (17). “Tem uma galera que não vota no 22, mas todo mundo se sentiu obrigado a ir. Esse pessoal que ocupa cargo político, que está ligado diretamente a alguém.”
O UOL obteve um áudio, divulgado inicialmente pelo site ICLNotícias, em que Nunes chama os presentes para o evento. “Se puderem postar nas redes sociais, convidando as pessoas a estarem lá amanhã. Criar a lista de transmissão do WhatsApp”, disse Nunes.
“A gente não está falando de um igual ao outro. Nós estamos falando de um totalmente diferente do outro. Nós estamos falando de salvar o nosso país”, afirmou. “Vocês sabem qual é o único vermelho que vai ter nessa eleição dia 25? É o cartão vermelho do Lula. E é cada um aqui, homens, mulheres, jovens, vamos nessa semana mostrar nossa força.”
Durante a semana, Nunes já vinha gravando vários vídeos ao lado de funcionários da prefeitura, convidando para o ato na Paulista.
A eleição de Flávio é considerada fundamental para os planos políticos de Nunes de disputar o governo paulista em 2030. Ao demonstrar força na mobilização de votos em São Paulo, o prefeito busca se cacifar para a sucessão estadual e, eventualmente, a ocupar um ministério após o fim de seu mandato na prefeitura, em dezembro de 2028.
A reportagem procurou a gestão Nunes para comentar o assunto, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço está aberto.
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