
Em meio à artilharia contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), alguns patriotas bolsonaristas sonham com a punição e intervenção dos Estados Unidos sobre o Brasil, afirmou o colunista Leonardo Sakamoto no UOL News, do Canal UOL, nesta quarta-feira (26).
Esse negócio contra o Xandão serve para animar público bolsonarista no Brasil, animar o Musk, mas, do ponto de vista do julgamento do Bolsonaro, tem efeito prático zero.
Não vai mudar voto do Supremo, e não vai trazer voto de ninguém em 2026 para além dos votos que a extrema direita já têm garantidos. Pelo contrário: a depender dessa aliança do golpismo norte-americano com o golpismo brasileiro, isso pode gerar até uma identidade reativa nesse processo.
Leonardo Sakamoto, colunista do UOL
Sakamoto comentava a aprovação de um projeto de lei que cria sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, ocorrida, nesta quarta (26), no Comitê Judiciário, do Congresso americano.
O projeto foi batizado de “No Censors on our Shores Act” e foi protocolado em setembro do ano passado. Ele estabelece a deportação e o veto de entrada nos EUA a qualquer estrangeiro que atue contra a liberdade de expressão, violando a Primeira Emenda da Constituição dos EUA.
A articulação política está sendo realizada entre bolsonaristas e deputados da base conservadora local. Após a aprovação no comitê, a lei ainda precisa passar por votação no plenário do Congresso americano.
Ao Canal UOL, Sakamoto disse que a euforia gerada por bolsonaristas, com a aprovação da lei nos Estados Unidos, pode criar efeitos contrários no fim das contas.
Tirando esses patriotas brasileiros, que se enrolam na bandeira norte-americana, muita gente aqui não gosta que alguém de fora diga o que o brasileiro deve ou não fazer. Quando um determinado senador do campo bolsonarista, por exemplo, pede para que os EUA intervenham no Brasil, você pode gerar reação de determinados grupos de forma muito negativa.
E eu não estou falando de progressistas, da esquerda, mas de grupos da direita ou centro-direita, que acreditam na autodeterminação dos povos, que não querem ninguém aqui torrando a nossa paciência, que não quer o governo do Trump cutucando a gente para que façamos o que é melhor para ele. Até porque o que garante que essa interferência do trumpismo ficará apenas no STF? Não fica. Hoje, é o STF. Amanhã, o Executivo. Depois, o Congresso, os estados, municípios.

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