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Os vídeos da delação do tenente-coronel Mauro Cid divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mostram o momento em que o ex-braço-direito de Jair Bolsonaro (PL) rompeu de vez com o ex-presidente e entregou o plano golpista montado após as eleições de 2022 para mantê-lo no poder.
Acompanhado dos advogados, Mauro Cid falou longamente ao delegado Fábio Alvarez Shor, da Polícia Federal, sobre o que viu e ouviu nos últimos dias do governo do ex-presidente. Segundo o tenente-coronel, Bolsonaro ficou em um “luto profundo” após a derrota nas urnas e passou a receber aliados na esperança de anular o resultado das eleições.
A defesa do ex-presidente afirma que a versão do ex-ajudante de ordens é “fantasiosa” e nega que Bolsonaro tenha participado de qualquer plano de ruptura institucional.
Aos investigadores, Mauro Cid afirmou que o assessor Filipe Garcia Martins e o jurista Amauri Saad levaram a Bolsonaro uma minuta de decreto para anular o resultado das eleições de 2022 e prender autoridades, como os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, e outros que de alguma forma se opunham ideologicamente ao ex-presidente.
O ex-ajudante de ordens relatou que Bolsonaro recebeu o documento, leu e alterou alguns pontos, mantendo apenas a prisão do ministro Alexandre de Moraes e a realização de novas eleições. Ainda sendo o depoimento, o ministro foi monitorado a mando do ex-presidente e era tratado pelo codinome “professora”.
De acordo com o depoimento, após receber de Filipe Martins a versão com ajustes, Bolsonaro chamou os comandantes das Forças Armadas – Marco Antônio Freire Gomes (Exército), Carlos de Almeida Baptista Junior (Aeronáutica) e Almir Garnier Santos (Marinha) – para uma reunião. Segundo Mauro Cid, o então presidente queria pressioná-los a aderir ao golpe.
Mauro Cid também cravou que o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, também reuniu os comandantes das Forças Armadas, em outro momento, depois da reunião com Bolsonaro, para buscar adesão ao decreto.
O documento ainda teria sido apresentado ao então comandante de Operações Terrestres do Exército, general Estevam Theophilo, desta vez pelo próprio Bolsonaro. Segundo Mauro Cid, o general aceitou aderir à trama golpista se o ex-presidente assinasse o decreto.
Além do plano golpista, Mauro Cid também se comprometeu a falar sobre as fraudes nos cartões de vacinação do ex-presidente e de aliados na pandemia de covid-19 e sobre a venda de joias do acervo da União. Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal nos dois casos.
O ex-ajudante de ordens contou à PF que a ordem para falsificar os certificados de vacinação de Bolsonaro e da filha mais nova dela, Laura, partiu do próprio ex-presidente. Mauro Cid narrou que chegou a entregar os cartões fraudados em mãos a Bolsonaro.
O padrão foi o mesmo no caso das joias. Segundo o tenente-coronel, foi o ex-presidente quem ordenou a venda de relógios, joias e esculturas. Bolsonaro recebeu o dinheiro em dólares e em mãos, de acordo com Mauro Cid.
“Acho que a última leva de dinheiro foi quando o presidente esteve na casa do meu pai, em março de 2023, alguma coisa assim. Foi o último pacote entregue”, declarou. “Eu não saquei nenhum dinheiro para entregar para o presidente em real. Foi tudo em dólar. Todo o montante em dólar.”

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