Governo Lula liga ‘modo campanha’ com Gleisi no Planalto, avaliam integrantes do PT

Com a escolha de Gleisi Hoffmann para a Secretaria de Relações Institucionais, petistas avaliam que o governo Lula ligará o “modo campanha”, com foco total nas eleições do ano que vem. Integrantes do PT dizem que o presidente da República precisa de aliados no Palácio do Planalto que saibam fazer a disputa política e consigam pautar o debate público. O perfil combativo da presidente do PT, que é popular entre a militância da sigla, foi levado em conta no xadrez da reforma ministerial.

Gleisi substituirá Alexandre Padilha na articulação política com o Congresso, no momento que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê sua aprovação despencar até no mesmo no Nordeste. Governistas esperam que a dança nas cadeiras na Esplanada ajude a melhorar a popularidade e viabilizar a tentativa de reeleição em 2026. Padilha, por sua vez, ficará no lugar de Nísia Trindade no Ministério da Saúde.

Como mostrou a Coluna do Estadão, Lula estabeleceu um “tripé de rejeição”, ao longo dos últimos dois anos, até amargar o derretimento da popularidade em todo o País. Os três fatores que empurram o governo ladeira abaixo são apontados por integrantes da própria base aliada a Lula: erros na economia, apatia política e desconexão com a vida real do brasileiro.

Aliados de Gleisi dizem que a relação construída com o novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), será um dos trunfos dela no comando da SRI, como mostrou a Coluna do Estadão. No ano passado, Gleisi foi uma das principais defensoras do embarque do partido na campanha do deputado paraibano pela sucessão de Arthur Lira (PP-AL).

É recorrente na Câmara a seguinte declaração: “Gleisi cumpre acordo”. Essa é uma condição sine qua non para negociar com os deputados e senadores. Com Padilha, ressaltam os congressistas, o que era conversado não se consolidava. Depois, nem conversa ocorria mais, pois não havia mais confiança.

A pasta que Gleisi assume está diretamente ligada às negociações para as liberações de emendas parlamentares. Ou seja, pauta que impacta diretamente nas discussões para conquistar apoio dos políticos em suas bases eleitorais e construir pontes para 2026.

Entretanto, até o mais otimista dos petistas sabe que, se Lula não melhorar sua popularidade, não tem conversa com Congresso que garanta os apoios no palanque da próxima corrida presidencial.

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