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A forma com que o presidente Lula (PT) tem realizado a reforma ministerial, a conta-gotas, tem angustiado e constrangido membros do governo e irritado o centrão e a base.
O que aconteceu
Aliados do presidente reclamam da demora. A reforma já é comentada desde o segundo semestre do ano passado, mas Lula tem, mais uma vez, insistido em fazer as trocas em parcelas, recheando as mudanças de suspense e constrangimento, como foi o caso de Nísia Trindade ao deixar a Saúde.
Isso também causa um problema estrutural, reclamam auxiliares. Como integrantes de ministérios não sabem se vão ser trocados ou não, se dividem entre dar o gás máximo para “mostrar serviço” e uma paralisia, na dúvida se o trabalho desempenhado nos últimos meses vai acabar descartado.
Desde o começo do ano, já houve três trocas. O Já foram demitidos: Paulo Pimenta (PT) e Nísia Trindade e a escolha de Alexandre Padilha (PT) para assumir a pasta da Saúde foi a terceira mexida no xadrez da reforma ministerial.
Próximo anúncio deverá ser o substituto nas Relações Institucionais. Lula já diz ter escolhido o sucessor de Padilha, mas afirmou que ainda não teve a conversa definitiva e manteve suspense com a imprensa.
Chegada de Gleisi tem suspense e mais fritura. Auxiliares de Lula dizem que a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, já foi convidada para assumir uma pasta e a mais provável é a Secretária-Geral, comandada por Márcio Macedo (PT), que nas últimas semanas tenta evitar mostrar desgaste com o processo de saída iminente.
Insegurança, paralisia e constrangimento
Nem aliados próximos dizem estar satisfeitos com a forma como Lula tem atuado. No Palácio, reservadamente, membros do governo defendem que o presidente “tem o próprio tempo” e que gosta de ouvir as opiniões diversas antes de tomar uma decisão, mas que a maré não está tão calma para este tipo de estratégia.
Há até pouco tempo Lula nem admitia que haveria reforma. Ele repetia estar satisfeito com a equipe e fazia seus ministros negarem qualquer intenção de mudança, o que incomodava em especial membros do centrão, exigentes por mudanças e mais espaço.
No governo, quem quer sair se sente inseguro. As pastas, embora digam seguir trabalhando, sentem certa paralisia. Servidores e funcionários de ministério que estão como cotados para troca dizem não fazer planos a longo prazo porque não sabem se irão efetuá-los.
Com a demissão de Nísia, levantou-se também a carta do constrangimento público. Embora Lula tenha fritado ministros de saída neste mandato, como Ana Moser (Esporte) e Paulo Pimenta (Secom), o caso da ministra da Saúde gerou um embaraço a mais.
Nísia teve de participar de um evento no dia da demissão. Com a data da cerimônia marcada há tempos, a ministra fez praticamente um ato de despedida ao lado de Lula, que, por sua vez, optou pelo silêncio e não discursou.
Entre base e centrão, fica a irritação. Nenhum partido sabe ao certo que papel e tamanho terá neste governo reformado, as especulações criam desconforto nos aliados, o que gera um problema para a articulação do governo.
Não é tempo para demora, dizem. Com a popularidade do governo em queda, aliados temem que, quanto mais Lula deixe a todos em banho-maria, maior fique a vontade de desembarcarem da gestão, rumo a um consenso à centro-direita.
Lula sabe o que faz, defendem ministros
A cúpula do governo tenta passar a imagem de tranquilidade. Ministros e auxiliares mais próximos rebatem que o presidente tem as mudanças na cabeça e está fazendo tudo em consenso com partidos e Congresso, ouvindo todas as partes.
Seria este o seu trunfo, argumentam: fazer as coisas a seu tempo, desde que consiga abrigar a todos. “Lembre que o presidente está no seu terceiro mandato, não começou ontem”, costuma repetir Padilha.
Não é um consenso. Correligionários que conhecem Lula há décadas não compartilham do mesmo otimismo e dizem que o presidente tem deixado dúvidas se segue com a mesma habilidade política de leitura de cenário que costumava ter.

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