Opinião | Ascensão de Tarcísio é ruim para Lula e Bolsonaro

Faz todo sentido político o presidente Lula tratar, pessoalmente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com cortesia. Não foram à toa as frases gentis trocadas com o governador no evento de lançamento de obras em São Paulo, nesta quinta-feira, 27. Para Lula, é bem melhor o confronto continuar com um candidato inelegível, virtualmente condenado à cadeia – e sem votos entre os setores mais moderados da sociedade.

O pior cenário para Lula, em baixa nas pesquisas, é que as pessoas identifiquem qual é o sujeito do antipetismo da vez. Polarizar com Tarcísio é dar palco para adversário viável. Há uns 40% do eleitorado que está ansioso por saber qual será esse nome a combater Lula na era pós-Bolsonaro. E uns 12% vão votar nesse sujeito se for ao mesmo tempo contra o PT e não seja radical e sectário. Civilidade na política é excelente, mas não é por essa característica que Lula poupa o governador – o PT sabe muito bem o que é atacar com agressividade – e do nível bolsonarista de pancada – se for para ter mais poder.

Já para Jair Bolsonaro, o drama é outro. Com a perspectiva de ir para a cela, precisa se fiar na sua popularidade com os seguidores como proteção. Mas há uma questão aí: Bolsonaro se tornou estimado pelo fato de ele ter sido alguém que para parte expressiva da população finalmente teve coragem de enfrentar o petismo – os tucanos eram vistos como falsa oposição, tíbios e tímidos – e poderia perder o posto.

Com Tarcísio em evidência, Bolsonaro perde um de seus maiores trunfos políticos. Deixa de ser o número 1 para ser o número 2 no coração dos oposicionistas. Sua provável prisão pode provocar choros e suspiros, mas o que realmente importa para tanta gente – tirar o PT do poder – estaria já encaminhado com outra pessoa – o mais bem colocado é o atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes.

Fonte


Publicado

em

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *