Só os EUA podem deter Trump

Uma guerra comercial deflagrada pela maior economia do planeta inibe o comércio internacional. Com a queda no volume de transações, há menos crescimento. Haverá mais inflação e mais juros. Não apenas nos Estados Unidos, mas no mundo.

O custo doméstico já começa a doer. A tormenta troveja sobre os balanços de corporações com ações na bolsa. Lança seus raios que os partam também sobre as planilhas de médios e pequenos empreendimentos.

O New York Times ouviu 100 empresas americanas que escoram seus negócios em importações da China. Produzem de tudo —cartões de felicitações, jogos de tabuleiro, calçados, cabides, porta-retratos, equipamentos de café, brinquedos, vitrais, o diabo. Algumas suportam internamente as tarifas que Trump desejava impor aos fornecedores chineses. Não demora e o custo invadirá o bolso dos consumidores americanos.

Não é de hoje, o multilateralismo está em crise. O retorno do imperialismo ao trono da Casa Banca potencializou a crise. Trump poderia estabelecer negociações bilaterais com parceiros estratégicos. Prefere apostar num unilateralismo imperial. Para Trump, diálogo bom é aquele em que ele manda o interlocutor calar. O que fazer?

A resposta provavelmente virá das empresas americanas que não encontram opções domésticas mais baratas de matéria-prima nem conseguem refazer sua cadeia de suprimentos do nada. A resposta virá do eleitor, prestes a ser submetido a um aumento da inflação que o imperialista prometia anestesiar. Só os Estados Unidos podem deter a insensatez de Trump.

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