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Enquanto aguardam um posicionamento da PGR (Procuradoria-Geral da República), aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que foram indiciados nos inquéritos das joias e da vacina dão consultoria para empresas privadas e atuam em prefeituras de pequenos municípios.
O que aconteceu
PGR apresentou denúncia sobre tentativa do golpe, mas não sobre outros dois casos. Em março de 2024, a PF indiciou Bolsonaro e outras 16 pessoas por envolvimento em um suposto esquema de falsificação do cartão de vacinas. Quatro meses depois, 12 pessoas foram indiciadas no inquérito que apura a venda ilegal de joias que foram dadas de presente à Presidência da República.
Investigado se torna indiciado quando inquérito aponta um ou mais indícios de crime. Após essa fase, a Procuradoria-geral da República analisa as provas e apresenta (ou não) a denúncia. Se a Justiça aceitar, os denunciados se tornam réus e enfrentam o julgamento.
Agora longe do Planalto, alguns indiciados trabalham em empresas privadas. É o caso do almirante Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia. Ele liderou a comitiva que tentou entrar no Brasil com as joias sem declarar à Receita Federal. Portanto, de forma ilegal.
Albuquerque fundou empresa de consultoria para empresas de energia e mineração. A DEM Consultoria foi aberta em novembro de 2022. Ele também atua como consultor independente da Odebrecht desde 2023. Além disso, é militar da reserva da Marinha, com salário de R$ 37.988 mensais.
Outro indiciado, ex-chefe de gabinete de Albuquerque, é sócio da DEM Consultoria. José Roberto Bueno também é diretor de Gestão Corporativa e Sustentabilidade da estatal ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear), além de militar da reserva, com salário de R$ 33.223 por mês.
Ex-advogado de Bolsonaro, Frederick Wassef articula encontros em Atibaia. Segundo a PF, ele teria sido escalado para resgatar as joias vendidas ao exterior. Não publica nas redes sociais desde 2023, mas tem dado as caras nos bastidores da política de Atibaia, no interior de São Paulo. Em 4 de fevereiro, intermediou uma reunião do prefeito Daniel Martini (PL) com a cúpula da Polícia Civil da região.
Prefeito de Atibaia foi eleito com ajuda de Wassef em outubro de 2024. Em entrevista ao jornal “O Atibaiense”, Martini afirmou que o advogado teria um papel importante na interlocução com o governo estadual e federal. “Considero Wassef um deputado sem mandato, ele tem muitos contatos”, disse. O UOL tentou contato com Wassef e com a Prefeitura de Atibaia, mas não teve resposta.
Outra indiciada no caso das vacinas atua em prefeitura do RJ. A médica Célia Serrano da Silva, indiciada no caso das vacinas, segue como secretária municipal de Saúde de Duque de Caxias (RJ). Ela teria dado a ordem para servidores inserirem as informações falsas de vacinação do ex-prefeito Washington Reis no sistema.
Dos indiciados nos dois inquéritos, 12 são militares. Alguns nomes se repetem. Ex-ajudantes de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid e o coronel Marcelo Câmara estão envolvidos no caso das joias, das vacinas e também do golpe.
Todos os militares indiciados continuam recebendo remuneração. O capitão do Exército Sérgio Rocha Cordeiro, ex-assessor e ex-segurança de Bolsonaro, hoje ocupa um cargo comissionado no governo Lula. Ele é assessor especial da Presidência da República, com salário de R$ 14.849,50. Chegou a ser preso em 2023 por ter participado da inserção de dados falsos de vacinação no sistema do Ministério da Saúde.
Veja a lista completa de indiciados no inquérito das joias:
- Ex-presidente Jair Bolsonaro
- Bento Albuquerque: ex-ministro de Minas e Energia
- Fábio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social de Bolsonaro
- Frederick Wassef: ex-advogado de Bolsonaro
- José Roberto Bueno Junior: ex-chefe de gabinete do Ministério de Minas e Energia
- Julio Cesar Vieira Gomes: ex-secretário da Receita Federal
- Marcelo Costa Câmara: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
- Marcelo da Silva Vieira: ex-chefe do setor de presentes do governo Bolsonaro
- Marcos André dos Santos Soeiro: ex-assessor do Ministério de Minas e Energia
- Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
- Mauro Cesar Lourena Cid: general da reserva do Exército e pai de Mauro Cid
- Osmar Crivelatti: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
Veja a lista completa de indiciados no inquérito da fraude nas vacinas:
- Ex-presidente Jair Bolsonaro
- Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
- Gabriela Santiago Cid:esposa da Mauro Cid;
- Gutemberg Reis de Oliveira: deputado federal (MDB-RJ)
- Luis Marcos dos Reis: sargento do Exército
- Farley Vinicius Alcântara: médico
- Eduardo Crespo Alves: segundo sargento do Exército
- Paulo Sérgio da Costa Ferreira: segundo sargento do Exército
- Ailton Gonçalves Barros: ex-major do Exército
- Marcelo Fernandes Holanda
- Camila Paulino Alves Soares: enfermeira da prefeitura de Duque de Caxias
- João Carlos de Sousa Brecha: ex-secretário de Governo de Duque de Caxias
- Marcelo Costa Câmara: assessor especial de Bolsonaro
- Max Guilherme Machado de Moura: ex-assessor e ex-segurança de Bolsonaro
- Sergio Rocha Cordeiro, ex-assessor e ex-segurança de Bolsonaro
- Cláudia Helena Acosta Rodrigues da Silva: servidora de Duque de Caxias
- Célia Serrano da Silva: secretária municipal de Saúde de Duque de Caxias

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