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A defesa legal pode estar focada na Justiça, mas o ex-presidente não, pois sabe que há elementos suficientes para condená-lo. Ele e seus aliados miram a defesa política. Jair espera as negativas para alimentar o discurso de perseguição judicial em várias frentes: entre os seus seguidores mais radicais, junto ao eleitorado de outubro de 2026 e na comunidade internacional de extrema direita, com a Trumplândia à frente.
Bolsonaro vai se tornar réu por golpe de Estado, entre outros crimes, e muito provavelmente será condenado. E ele também sabe disso. Pressão dos Estados Unidos, de manifestações de rua no Brasil e de parlamentares extremistas não vão surtir efeito no STF, pelo contrário, são capazes de acelerar o processo judicial.
Sua meta, neste momento, é preparar o terreno para uma revisão futura de sua condenação, o que pode ocorrer mais facilmente com a saída de Lula e a volta da direita ao poder. A imagem de alguém que teve quase todos os pedidos negados pela Justiça é crucial para isso, mesmo que os pedidos venham a ser negados com argumentação sólida.
A questão é se ele vai topar ser preso após declarado culpado e aguardar uma revisão ou anistia no xilindró ou irá se pirulitar para os arredores da Disney antes disso. Lula não fugiu e passou 580 dias em cana até ter sua condenação cancelada. A imagem de perseguido cola com o seu público, mas para ela ter efeito no eleitorado mais amplo, a de frouxo não pode se sobrepor.

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