Após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro (PL), um perfil oficial do Ministério da Defesa publicou um link que levava a uma mensagem com um pedido de golpe de Estado. A informação foi divulgada hoje pelo Estadão e confirmada pelo UOL.
O que aconteceu
Publicação foi feita na conta do ministério no X (antigo Twitter). O post orienta o usuário a conferir a nota oficial da pasta sobre relatório de trabalho de fiscalização do sistema eletrônico de votação. Porém, o link disponibilizado leva a um canal do Telegram com a seguinte mensagem: “Dê o golpe jair” — com o nome do então presidente escrito em letra minúscula.

O tuíte foi feito em 7 de novembro de 2022, oito dias após a derrota de Bolsonaro na eleição. Até a publicação desta reportagem, o post ainda estava no ar — atualmente o perfil é gerido pelo governo Lula (PT). Já a mensagem no Telegram — que também continua no ar — foi publicada no dia 9 e editada no dia seguinte. O canal não é oficial do ministério e tem 289 inscritos.
O UOL entrou em contato com o Ministério da Defesa, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.
Na época da publicação, o ministro da Defesa era o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-comandante do Exército. Ele foi um dos 34 denunciados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por tentativa de golpe de Estado. Em manifestação enviada ao STF, a defesa de Nogueira afirmou que ele sempre se colocou contrário à trama golpista e, portanto, não integraria o grupo que tentou manter Bolsonaro no poder.
Inquérito da PF revelou que, nos últimos dois meses de 2022, integrantes do governo Bolsonaro e aliados planejaram um golpe. Segundo as investigações, Bolsonaro chegou a se reunir com comandantes das Forças Armadas para convencê-los a aderir ao plano golpista. Enquanto isso, militares incitavam manifestantes a permanecer na frente de quartéis e alimentavam a expectativa de que as eleições seriam anuladas.

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