Bolsonaro se pronuncia após STF marcar data do julgamento de denúncia sobre trama golpista




O ex-presidente Jair Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro

Foto: Adriano Machado / Reuters

Jair Bolsonaro se pronunciou após o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), agendar para o dia 25 de marçodenúncia sobre a tentativa de golpe de Estado apresentada pela Procuradoria-Geral da República, que envolve o ex-presidente. Isso aconteceu ao decorrer desta quinta-feira, 13, após o ministro Alexandre de Moraes, relator, liberar o caso para julgamento.

“Nesse Brasil de índices que impressionam negativamente, um inquérito repleto de problemas e irregularidades contra mim e outras 33 pessoas está indo a julgamento em apenas 1 ano e 1 mês (de 8 de fevereiro de 2024 a 25 de março de 2025). É impressionante! Parece que o devido processo legal, por aqui, funciona na velocidade da luz”, escreveu no X, antigo Twitter, o ex-presidente, que pode virar réu caso a maioria dos ministros aceite a denúncia durante o julgamento.

De acordo com os registros do andamento do processo no STF, foi marcada uma sessão extraordinária às 09h30 do dia 25, uma sessão ordinária às 14h também no dia 25; e, por fim, uma sessão extraordinária às 09h30 do dia 26.

Quem será julgado?

Nesse primeiro momento, de acordo com informações da Agência Brasil, a denúncia que será julgada envolve o ‘núcleo 1’ da investigação sobre a trama golpista, referente aos acusados de liderar a tentativa de impedir o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Os denunciados são:

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
  • General Braga Netto – ex-ministro da Casa Civil e vice na chapa de Bolsonaro em 2022;
  • General Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência – Abin;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Paulo Sérgio Nogueira – general do Exército e ex-ministro da Defesa;
  • Mauro Cid – delator de ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

A Primeira Turma do Supremo é composta por Alexandre de Moraes, o relator do caso, e os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux. Se a maioria dos ministros aceitar a denúncia, os denunciados viram réus — passando a responder por uma ação penal no STF.

Ainda nesta quinta-feira, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou o argumento da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 33 investigados pela suposta tentativa de golpe de Estado e defendeu o recebimento da denúncia pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Relembre a denúncia da PGR

Bolsonaro (PL) foi denunciado, em fevereiro, pela PGR por tentativa de golpe de Estado após a eleição do presidente Lula em 2022.

Ao todo, Paulo Gonet ofereceu denúncia contra 34 pessoas acusadas de “estimular e realizar atos contra os Três Poderes e contra o Estado Democrático de Direito”.

Os denunciados são acusados dos seguintes crimes:

  • organização criminosa armada;
  • tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • golpe de Estado;
  • dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima;
  • deterioração de patrimônio tombado.

“As peças acusatórias baseiam-se em manuscritos, arquivos digitais, planilhas e trocas de mensagens que revelam o esquema de ruptura da ordem democrática. E descrevem, de forma pormenorizada, a trama conspiratória armada e executada contra as instituições democráticas”, informa a PGR.

Ainda segundo a Procuradoria-Geral da República, a organização tinha como líderes o então presidente da República e o seu candidato a vice-presidente. “Aliados a outras pessoas, dentre civis e militares, eles tentaram impedir, de forma coordenada, que o resultado das eleições presidenciais de 2022 fosse cumprido”. 

A denúncia foi enviada ao STF a partir de uma investigação da Polícia Federal (PF) que apontou Bolsonaro como líder de uma organização criminosa que atuou para abolir o Estado Democrático de Direito.

O objetivo, segundo o relatório, era estabelecer uma “falsa realidade de fraude eleitoral” para que sua derrota não fosse interpretada como um acaso e servir de “fundamento para os atos que se sucederam após a derrota do então candidato Jair Bolsonaro no pleito de 2022”

A investigação aponta ainda que o ex-presidente tinha conhecimento de um plano para matar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF Alexandre de Moraes

O que diz a defesa de Bolsonaro

Na época em que a PGR ofereceu a denúncia, a defesa de Bolsonaro afirmou que o ex-presidente “jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou as instituições que o pavimentam”. Também alegou ter recebido com “estarrecimento e indignação a denúncia da Procuradoria-Geral da República”.

Fonte


Publicado

em

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *