A parte que aponta para o futuro foi omitida do slogan, mas estará nos discursos. Lideranças da direita protestarão contra o pedido do PT para apreensão do passaporte do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A eleição do ano que vem é o sujeito oculto para o qual os dois temas dos discursos convergem. Aprovar a anistia enfraquece a tese de que Bolsonaro liderou uma tentativa de golpe de Estado. A atuação do deputado Eduardo é considerada determinante para o ex-presidente recuperar os direitos políticos.
Jair Bolsonaro insistirá até o final em disputar a próxima eleição. O lobby exercido pelo deputado junto ao governo Donald Trump é visto como crucial para a reversão da inelegibilidade do ex-presidente.
Uma demonstração massiva de apoio popular no domingo é importante. Acusado de golpe de Estado, Bolsonaro pode pegar pena superior a 30 anos. Uma foto áerea com Copacabana lotada aumenta o capital político e serve de pressão contra o STF (Supremo Tribunal Federal), que não dá sinais de que irá recuar.
Também há possibilidade de o ex-presidente participar de uma motociata. Bolsonaro avalia ir ao evento que está marcado para antes do ato. Quando discursou no Rio na campanha de 2022, ele chegou a Copacabana numa motociata.

Liberdade para falar
Não haverá assunto proibido. A afirmação é de Silas Malafaia, pastor responsável por organizar os atos bolsonaristas. Conhecido por discursos virulentos contra a esquerda e a Justiça, ele disse que sua fala vai se “ater ao que causou a prisão dessas pessoas, vai ser pesado”.
A previsão é que, além dele e de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) discursem. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, e o deputado federal Gustavo Gayer também deve fazer pronunciamentos. Este último se envolveu numa polêmica na última semana depois de postagens machistas.
Michelle Bolsonaro será ausência. A ex-primeira-dama não participará no ato em Copacabana, já que se recupera de uma cirurgia estética feita recentemente.
Os governadores que forem ao ato poderão discursar. “O governador Tarcísio [de Freitas, do Republicanos-SP] está previsto [para discursar], só se ele não quiser falar”, disse Malafaia, comentando o mesmo para o governador do Rio, Cláudio Castro (PL). O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), também irá ao evento.
Malafaia disse que não combina com o ex-presidente o discurso, mas acredita que Bolsonaro não falará do STF. “Pelo que estou vendo, ele vai centrar o discurso nessa questão da anistia humanitária, creio que ele não vai falar de STF, de Alexandre de Moraes, nada disso”, sugeriu o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.
Flávio Bolsonaro é crítico das investigações sobre o golpe de Estado. O senador, que subirá no carro de som para falar, alega que o ex-presidente é vítima de um movimento político para ser tirado das eleições de 2026.
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, disse ao UOL que vai “agradecer tudo o que Bolsonaro” fez pelo partido. Liberado por Moraes para voltar a conversar com o ex-presidente, ele afirmou que seu discurso terá como foco “pátria, família e liberdade”.
Diferentemente dos outros atos, o presidente do PL não precisará descer do carro de som após discursar. Em manifestações anteriores, Valdemar se juntava aos militantes e assistia do asfalto os pronunciamentos de colegas de partido por causa das restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal.

Divergências sobre slogan
A escolha da anistia como mote da manifestação não agradou a todos. Havia pessoas advogando por outros temas. No final, prevaleceu a posição de Bolsonaro, que prefere este slogan.
Os críticos da escolha argumentam que a militância não sairá de casa pela anistia. Esta fatia da direita considera que o evento não vai atingir o tamanho que poderia por este motivo. Acrescentam que a rejeição à esquerda é a principal força que movimenta a militância —há dez anos, o grupo foi às ruas para pedir o impeachment de Dilma Rousseff (PT).
Estas lideranças da direita preferiam que o slogan fosse o impeachment de Lula. Eles argumentam que há muito descontentamento latente contra o presidente, que foi despertado e potencializado com a inflação. Na opinião destes políticos, o movimento ficará aquém de seu potencial.
O Bolsonaro falou: não, isso está errado [sobre ato para impeachment de Lula em São Paulo]. ‘Impeachment agora não resolve nada, nós estamos no negócio da anistia’. Então, a turma saiu na frente, Zambelli, o tal do Marco Antônio, seu Nikolas saíram com essa conversa e Bolsonaro pegou as rédeas.
Silas Malafaia, organizador do ato bolsonarista
Malafaia disse que pediu para Bolsonaro dizer que o tema é “Anistia já e fora Lula 2026 para não ficar chato”. O ex-presidente teria sido contra o slogan de impeachment do petista para não dar um “presente a Alckmin”, o vice-presidente.
Governo pretende ignorar
No Planalto, o assunto tem sido ignorado. Integrantes do alto escalão de Lula dizem nem lembrar que haverá manifestação por terem “prioridades e problemas” maiores no momento.

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