Caiado: Bolsonaro tem direito de ser candidato e eventual prisão terá peso

Caiado recebeu, na última segunda-feira, a reportagem do UOL no escritório que o governo de Goiás tem em Brasília. Em uma sala ampla, com vista para a Catedral, ele contou sobre seus planos, as articulações políticas, incluindo uma possível chapa com o cantor Gusttavo Lima —antes de ele anunciar sua desistência da ideia— e fez uma análise de que o presidente Lula “está em um avião em queda livre”.

A seguir os principais trechos da entrevista:

‘Situação de Bolsonaro não pode me preocupar’

Caiado afirma que sua meta é se firmar como candidato e que não pode se preocupar com a situação de Bolsonaro. Ele reconhece que o apoio do ex-presidente poderia lhe ajudar, mas nega que os dois tenham brigado.

Essa situação (do Bolsonaro) não pode me preocupar (…) Eu só tenho uma meta, que é me firmar [como candidato]. Eu preciso chegar ao final da metade do ano que vem conhecido no Brasil.

Questionado se o apoio de Bolsonaro poderia ajudar nessa missão, ele diz que sim, mas pondera: “É uma decisão pessoal dele”.

Cada um tem o seu estilo de ser. Eu tenho meu, sou leal, transparente, direto, companheiro, todas as eleições dele eu apoiei. Eu tenho minha maneira de pensar, o dia em que eu for teleguiado por alguém, eu perdi a minha identidade.

Não é questão de brigar. Eu sou de diálogo, sempre fui, eu sou um homem que gosto de debater (…). O Bolsonaro sempre teve um bom relacionamento comigo, o problema é que eu falo para o Bolsonaro o que eu penso e o que eu faço.

Sobre a estratégia de Bolsonaro eventualmente manter a candidatura mesmo inelegível, Caiado foi categórico e direto: “É o direito dele”. Em relação a uma eventual prisão do ex-presidente, diz apenas que se acontecer “é muito grande (o peso)” e que “mexe muito” no cenário.

Outras candidaturas de direita e Tarcísio

Caiado evitou fazer análises em relação à manifestação do último domingo em Copacabana, mas diz que é evidente que o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que esteve no ato, se coloca como um sucessor do espólio de Bolsonaro.

O Tarcísio é um forte candidato também. Ninguém tira isso. Se ele sair candidato, nós vamos estar no debate que é normal da política. A minha primeira candidatura [foi candidato à Presidência em 1989] tinha 22 candidatos. É normal esse nicho.

Questionado se Tarcísio seria um ‘bolsonarista moderado’, Caiado afirmou que não cabe a ele fazer esse juízo de valor.

Eu tenho uma coisa que é muito característica do Ronaldo Caiado. Eu sou um homem que não tem plano B na política. Às vezes quando vou operar [ele é médico], eu tenho. Mas na política eu sei o que eu quero e vou naquela meta. Eu tenho convicção que já sou pré-candidato. Eu não sei quanto desses aí que podem sair – Eduardo Leite também está se colocando, [Romeu] Zema, Ratinho Jr., Tarcísio, eu. Só ai são cinco.

Eu não vou gastar energia com essa análise hoje porque hoje o que eu tenho (que fazer) é as pessoas me conheçam, eu tenho que levar o que eu fiz para que as pessoas ouçam, me conheçam, me deem oportunidade de mostrar o que eu fiz no estado.

Em relação a eu sair com antecedência, é porque eu sou de um estado que tem 4 milhões de eleitores, num Brasil que tem 120 milhões de eleitores, e eu preciso caminhar.

Ronaldo Caiado durante debate na TV Bandeirantes na eleição presidencial de 1989
Ronaldo Caiado durante debate na TV Bandeirantes na eleição presidencial de 1989 Imagem: Reprodução

Cantor Gustavo Lima é estratégia?

Caiado afirmou que a intenção anunciada pelo cantor Gusttavo Lima se lançar na política, ontem descartada pelo próprio, não tratava de uma definição de chapa e se esquivou ao ser questionado se o plano seria apenas usar a popularidade do cantor para se tornar conhecido pelo país.

Eu tenho uma longa amizade com o Gusttavo Lima. Há muito tempo, tenho liberdade de conversar e falar. Quando foi em janeiro, ele me ligou e disse: ‘Cara eu estou pensando em me lançar candidato a presidente’. Ai eu disse: ‘Vamos fazer o seguinte: lança a sua candidatura e vamos sair juntos’.

Ontem, após o canto anunciar a desistência, Caiado gravou um vídeo para as redes sociais no qual parabenizou Gusttavo Lima “pela coragem e exemplo de cidadania”.

Nós sabemos muito bem que independente de ser ou não candidato, o Gusttavo Lima já entrou para a política. Vocês sabem que como figura pública ela é uma pessoa muito querida em todo o Brasil. O Gusttavo se posicionou sobre a necessidade de promover uma mudança no país, saindo dessa polarização estéril para um debate das necessidades reais da nossa gente. Gusttavo Lima sabe do que fala, ele viveu uma história de muitas dificuldades e provações até alcançar o sucesso.

Não é de agora que eu e Gusttavo temos discutido sobre política e sobre projetos para o nosso país, tanto na segurança pública, na saúde, na educação, na economia e na assistência social. E assim continuaremos.

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