Entidades repudiam perseguição e exposição de dados de jornalista do UOL

“A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) manifesta seu extremo repúdio ao caso, que se revela uma grave tentativa de intimidar e censurar o trabalho do jornalista, quando ele cumpria sua missão de investigar o uso de recursos públicos”, escreveu a diretoria da entidade, em nota oficial.

Para a Abraji, “é urgente que as autoridades públicas investiguem o caso, identifiquem os mandantes da estratégia de perseguição e façam cessar as ameaças sofridas pelo repórter”, registrou.

Para a presidente da Abraji, Katia Brembatti, o caso deve ser tratado como um ataque ao trabalho da imprensa.

“Não se trata de algo pessoal, mas da divulgação de informações de um profissional, com claro interesse de provocar reações, como atrapalhar sua rotina e o expor a ameaças”, disse a jornalista, para quem é preciso identificar e punir tanto os responsáveis quanto os financiadores do site com conteúdo intimidatório.

O diretor-executivo do escritório brasileiro da ONG Transparência Internacional, Bruno Brandão, classificou como “extremamente graves as ações contra o jornalista do UOL e sua família, em clara e covarde retaliação contra suas reportagens investigativas”.

Brandão diz que as reportagens “revelam fortíssimos indícios de corrupção na Prefeitura de São Paulo” e que a Transparência Internacional” reforçará seu apoio e visibilidade ao trabalho do repórter e colunista do UOL“.

A organização pedirá a autoridades “uma investigação aprofundada e livre de interferências, para identificar e punir os criminosos que tentaram difamar Herdy”.

“O jornalismo investigativo é elemento chave do combate à corrupção, e seu livre exercício é pilar central de qualquer democracia”, concluiu Brandão.

O Inac (Instituto Não Aceito Corrupção) classificou a publicação do site como “um ato de retaliação” pelo trabalho do jornalista sobre indícios de corrupção no âmbito do município de São Paulo.

“A liberdade de imprensa é garantia fundamental com a qual não se transige, assim como o direito de acesso à informação, do qual o jornalista é o instrumento fundamental numa democracia, onde impera o princípio da publicidade”, registrou em nota a diretoria executiva e o Conselho Superior do instituto.

Para a organização, são “inconcebíveis” os fatos noticiados pelas reportagens do UOL, “que merecem imediatas e rigorosas apurações por parte do Ministério Público e da própria Controladoria-Geral do Município”.

Prefeito diz que caso precisa ser investigado

Durante agenda pública na manhã desta quinta-feira (20), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que não sabia que o jornalista havia sido perseguido e tido seus dados expostos na internet.

“Se isso aconteceu, eu acho que a gente precisa ser solidário, estou sabendo disso agora aqui por você. (…) Ser solidário e não admitir e não permitir em nenhuma hipótese que qualquer tipo de pessoa persiga, ainda mais jornalista no exercício de seu trabalho”, afirmou o prefeito.

Para Nunes, se confirmado o episódio, trata-se de “um ato criminoso”. “A polícia tem que investigar e punir, evidentemente”, afirmou.

O site com conteúdo intimidatório menciona reportagens publicadas pelo jornalista e colegas do UOL sobre indícios de contratos emergenciais da prefeitura de São Paulo.

E traz dados falsos sobre a motivação das reportagens publicadas sobre o caso.

“Thiago Herdy tinha uma missão a cumprir. Seu alvo? A gestão municipal de São Paulo”, escrevem os autores do texto, não identificados.

Ainda assim, o prefeito disse entender que não há relação entre o episódio e sua administração.

“Não vejo relação com minha administração, isso não tem o menor sentido”, afirmou.

O deputado federal e ex-candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), escreveu em seu perfil da rede social X que a exposição da rotina do jornalista é fato “gravíssimo”.

“Minha solidariedade a Herdy. Essas ameaças são inaceitáveis e precisam ser apuradas”, escreveu o deputado.

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