Dia em que Bolsonaro virou réu teve reza, cercadinho e marcha fúnebre

  • Deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) ou “gordinho do Bolsonaro”;
  • O ex-ministro Gilson Machado ou “sanfoneiro do Bolsonaro”;
  • Senadora Damares Alves;

O UOL apurou que o clima era de tranquilidade e nenhuma esperança. Na noite anterior, o ex-presidente se despediu de seus aliados dizendo que o placar do julgamento do STF seria 5 a 0 pela abertura de ação penal por golpe de Estado.

Damares resolveu pedir intervenção divina. Abraçou Bolsonaro e orou. O ex-presidente se emocionou com a senadora rogando ajuda de Deus no julgamento.

A presença de Damares revela que Bolsonaro não deixou de fazer política nem no dia que virou réu. Ontem, ela sofreu um ataque do deputado Mário Frias (PL-SP). Ao encontrar a senadora, o ex-presidente sinalizou de qual lado está.

Traga para o lado de nós a pessoa certa, traga para o nosso lado o advogado, a estratégia certa.

Senadora Damares Alves

Bolsonaro reclamou de afirmações feitas por Moraes enquanto via o julgamento
Bolsonaro reclamou de afirmações feitas por Moraes enquanto via o julgamento Imagem: Reprodução

Bolsonaro ‘conversou com a TV’

Bolsonaro sentou-se na ponta do sofá de couro do gabinete de Flávio. O lugar fica imediatamente abaixo de um grande quadro que mostra o filho sorrindo com a bandeira do Brasil ao fundo e o Cristo Redentor ao lado.

Posicionado bem na frente da TV, o ex-presidente prestou atenção na primeira pessoa a falar: Alexandre de Moraes. Ele parecia tranquilo na maior parte do tempo, de acordo com relatos feitos ao UOL.

Mas houve momentos que Bolsonaro não segurou o descontentamento. Ele rebateu declarações de Moraes e rechaçou afirmações do ministro.

O descontentamento virou contrariedade com um vídeo do quebra-quebra de 8 de Janeiro. O ex-presidente disse que Moraes mostrou cenas de destruição, mas escondeu a parte da live de 30 de dezembro, quando ele falou que a luta não acabava e a direita voltaria ao poder.

Bolsonaro voltaria a “conversar” com a TV. Afirmou que Moraes ignorou o vídeo em que ele pediu para os caminhoneiros desobstruírem as estradas, bloqueadas após a vitória de Lula em 2022.

Flávio Bolsonaro ajudou o pai a retomar a linha de raciocínio durante pronunciamento após julgamento do STF
Flávio Bolsonaro ajudou o pai a retomar a linha de raciocínio durante pronunciamento após julgamento do STF Imagem: Evaristo Sa/AFP

Entre uma queixa e outra, houve muita conversa. A frequência de chegada de deputados e senadores aumentava conforme o julgamento se aproximava do final.

Prestes a ser enquadrado pela Justiça, Bolsonaro saiu de frente da TV por causa de um assunto secundário. Recebeu o vereador de Salvador Cezar Leite (PL), autor de um projeto que multa em três salários mínimos quem se fantasiar de Cristo, freira ou outros temas religiosos no carnaval da cidade.

Ao retornar o foco para o julgamento, o ex-presidente percebeu que decisões importantes precisavam ser tomadas. Vendo que os ministros não fariam pausa para o almoço, Bolsonaro e os aliados pediram comida.

Acionaram o Dom Francisco, restaurante conceituado de Brasília. O estabelecimento tem o bacalhau como carro-chefe e afirma possuir uma das “melhores cartas de vinho do Brasil”.

Mas houve demora na entrega. Quando o pedido foi feito, era meio-dia e os ministros ainda votavam.

Na hora que a comida chegou, Bolsonaro já era réu. A espera foi tamanha que o julgamento acabara, o advogado do ex-presidente já havia concedido entrevista na saída do STF e chegara ao gabinete de Flávio para conversar com o cliente.

Antes de falar, Bolsonaro postou uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo sobre o ritmo do julgamento ser mais rápido que o do mensalão. Durante o seu governo, Bolsonaro costumava atacar o jornal, mas usou a credibilidade do jornalismo para tentar rebater o Judiciário.

Cercadinho ressuscita

Bolsonaro desceu falar com a imprensa com o mau humor de quem sente fome. Encontrou um ambiente familiar à época em que foi presidente do Brasil. Um espaço cercado com jornalistas espremidos.

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