O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), disse que a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Presidência em 2026 é um cenário que “cada dia mais se consolida”, apesar de, publicamente, o governador dizer que vai buscar a reeleição.
O que aconteceu
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Ramuth diz acreditar que a candidatura de Tarcísio à presidência “pode acontecer”, dependendo do “cenário político”. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está inelegível até 2030 por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação nas eleições de 2022. Nesta semana, também virou réu no STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado. Ele insiste, porém, que será candidato em 2026.
Hoje existe uma realidade: o ex-presidente Bolsonaro está inelegível. Com novos julgamentos no horizonte, essa situação pode até se agravar
O vice disse ao jornal que a política, “muitas vezes, não segue exatamente os nossos desejos”. Para ele, o cenário caminha para que Tarcísio concorra à Presidência em 2026, mesmo que, para o vice, o governador hoje não tenha intenção de ocupar o cargo.

Tarcísio é apontado como o mais provável herdeiro do espólio político de Bolsonaro, porém não recebeu a bênção do ex-presidente. No início da semana, Bolsonaro afirmou que não vai “passar o bastão para ninguém” nas eleições. Ele deu a declaração ao lado de Tarcísio, quando ambos participavam de um podcast.
Ramuth também destacou na entrevista que Tarcísio tem boa relação com Bolsonaro, mesmo discordando dele em alguns pontos. Como exemplo, citou a defesa que o governador fez das urnas eletrônicas, citando que elas são “referência mundo afora”. As urnas são alvo permanente de ataques do ex-presidente, que afirma, sem provas, que elas foram fraudadas para que ele perdesse as eleições de 2022.
Ele [Tarcísio] tem total alinhamento com Bolsonaro, onde existe convergência. E mantém suas opiniões próprias quando julga necessário
Vice diz que Lula está ‘perdido’
Para o vice de Tarcísio, “não causa estranheza” a participação de seu partido no governo Lula. O PSD comanda três ministérios no governo federal, ao mesmo tempo em que, em São Paulo, detém não só a vice, mas também a Secretaria de Governo e Relações Institucionais, ocupada pelo presidente do partido, Gilberto Kassab.
Quando o próprio Kassab permanece em São Paulo, à frente de uma secretaria, isso deixa claro que o PSD paulista está mais alinhado à centro-direita. Já os que apoiaram a eleição do presidente Lula ocupam hoje cargos nos ministérios —e isso é legítimo, não me causa estranheza.
O vice também criticou o presidente Lula, dizendo que ele está “perdido”.
Acho que o presidente Lula está preso ao passado, sem um olhar para o futuro. E isso se reflete em várias decisões do governo. Soma-se a isso a prática recorrente de gastar mais do que se deve. E, aliás, com a eleição se aproximando, essa tendência só piora. Já vemos que há alguns planos sendo preparados para manter essa gastança

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