Bolsonaro e Nikolas ironizam protestos em SP; Boulos diz que lição foi dada

A manifestação em São Paulo contra a anistia aos presos do 8 de Janeiro foi marcada por uma briga de números e de interpretações entre esquerda e direita. O ex-presidente Jair Bolsonaro e parlamentares de oposição ironizaram o ato, já os organizadores salientaram o sucesso do protesto.

O que aconteceu

Batalha dos números e da foto. Embora tenha dito ao UOL que não haveria essa disputa, o deputado federal e um dos organizadores do ato, Guilherme Boulos (PSOL-SP), frisou a quantidade de manifestantes desde o início do evento.

Boulos afirmou já no início da manifestação que havia “muito mais gente do que do lado dos golpistas em Copacabana”. O deputado se referia ao ato de 16 de março no Rio de Janeiro, a favor da anistia e em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O deputado disse que havia 25 mil pessoas no ato e que os manifestantes “deram uma lição” em quem criticou a decisão de ir para a rua. “Se a gente não tomar a rua, o outro lado toma. É decisivo. E nós demos uma lição hoje porque já temos imagem por drone.”

Levantamento do Monitor do Debate Político apontou que 6,6 mil participaram do protesto. A concentração de militantes, políticos e movimentos de esquerda começou por volta das 13h na avenida Paulista — ao longo do ato, eles pediram a prisão de Bolsonaro e gritaram “sem anistia”.

Dias antes do evento, o psolista afirmou que o ato seria pequeno, com no máximo 20 mil pessoas. Foi uma tentativa de se antecipar às possíveis críticas da direita nas redes sociais sobre a quantidade de pessoas.

A gente sabe que batalha de narrativa de rede social é feia, mas com a imagem de drone ninguém vai sustentar que teve menos de 25 mil pessoas hoje. Foi maior do que a deles.
Guilherme Boulos, deputado federal e organizador do ato contra a anistia

A tentativa de evitar críticas, não surtiu efeito. Deputados bolsonaristas, como Nikolas Ferreira (PL-MG), e até mesmo o ex-presidente publicaram fotos e vídeos do ato com tom de deboche. “Se o Bolsonaro comer um pastel na Paulista dá mais gente”, escreveu o parlamentar mineiro.

O filho de Bolsonaro, o senador Flavio (PL-RJ), agradeceu Boulos e escreveu “#flopou” com uma imagem da Paulista. O trecho fotografado da avenida, entretanto, não fazia parte do ato contra anistia —outros parlamentares da direita divulgaram a mesma foto. Um vídeo de uma outra área da Paulista também foi compartilhado pelos bolsonaristas, o trecho também não fazia parte da manifestação da esquerda.

Imagens compartilhadas por bolsonaristas se tratavam da Marcha Transmasculina. O ato recebeu lideranças políticas como Érika Hilton (PSOL-SP), que esteve no protesto contra a anistia, mas era voltado para pautas em defesa dos direitos LGBT.

Antes mesmo do encerramento do ato, Boulos partiu para as redes sociais e rebateu publicações da direita. “Acho que o Chat GPT te entregou a foto errada, Nikole”, escreveu o psolista em resposta a Nikolas.

A esquerda conseguiu fazer uma manifestação tão grande, mas tão grande, que dá pra contar quantas pessoas foram na foto kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Eu contei 44 e vocês?
Nikolas Ferreira, deputado federal

Atos da esquerda e da direita

O Rio de Janeiro e outras capitais também receberam atos contra a anistia. A esquerda prevê uma série de protestos ainda nos próximos dias —o objetivo é também aproveitar a decisão do STF que tornou Bolsonaro réu por tentativa de golpe.

Há duas semanas, o ex-presidente reuniu apoiadores no Rio. Bolsonaro havia dito que a expectativa era de que o protesto teria um milhão de pessoas, mas o levantamento feito na ocasião mostrou que ato recebeu 18 mil pessoas. A Polícia Militar informou que contabilizou 400 mil pessoas —a corporação é comandada pelo governador aliado do ex-presidente, Claudio Castro (PL).

No próximo domingo (6), a avenida Paulista receberá mais um ato, dessa vez bolsonarista. O ex-presidente decidiu fazer uma manifestação na capital paulista com o tema “Anistia já e fora Lula 2026”.

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