Venda do Master a banco estatal passou por PP e União Brasil em Brasília

A influência dos dirigentes partidários no governo do Distrito Federal abriu as portas no BRB, banco estatal, para os sócios do Master, diante da dificuldade em encontrar um comprador privado.

Ainda em 2023, a operação política do Banco Master em Brasília contou com um pontapé inicial de Flávia Peres, ex-mulher de José Roberto Arruda (PL) e ex-ministra do governo Jair Bolsonaro, que hoje é casada com Augusto Lima, sócio do Banco Master.

Foi através de Flávia que seu antigo colega no Palácio do Planalto, o ex-ministro da Casa Civil e hoje senador, Ciro Nogueira, se aproximou do Banco Master e de Daniel Vorcaro, sócio majoritário da instituição financeira. Ciro abriu portas em Brasília para o banqueiro.

Em agosto do ano passado, o presidente do PP defendeu os interesses do Master propondo um aumento na cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por conta, tentando inserir a proposta em uma PEC sobre outro assunto. A cobertura serve para socorrer investidores caso um banco quebre.

A proposta foi descartada no Senado, mas o Banco Master poderia aumentar ainda mais a captação através de CDBs, seu principal produto, se houvesse uma proteção maior do FGC.

Festa e camarote no Carnaval

Em fevereiro deste ano, um dia após a eleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) como presidente da Câmara dos Deputados, Vorcaro estava em uma festa para celebrar a eleição na casa de um empresário em Brasília, com um grupo seleto de políticos.

Poucas semanas depois, no Carnaval do Rio de Janeiro, o dono do Banco Master patrocinou um camarote para poucos convidados na Sapucaí, onde também estavam Ciro, Rueda, o deputado federal Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e outros políticos.

O camarote, patrocinado pelo Banco Master, foi marcado pela ostentação. “Era champagne Dom Pérignon servido no banheiro”, conta uma pessoa próxima ao banco.

A aproximação com o mundo político de Brasília aconteceu enquanto uma consultoria contratada pelo Banco Master tentava, em vão, vender o banco a agentes privados, mas encontrava ceticismo em relação à solidez da sua carteira de ativos.

Nesse contexto, Ibaneis e Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, se uniram aos presidentes do União Brasil e do PP para tentar viabilizar a operação. Na última sexta-feira, o BRB anunciou a aquisição de 58% das ações do Master.

Tratativas com o BTG

O Banco Master também teve tratativas com André Esteves, do BTG Pactual, outro potencial comprador, que até agora não prosperaram.

Esteves propôs entrar para sanar a operação do Banco Master, mas sem incorporar o banco de Vorcaro ao patrimônio do BTG. Compraria o banco por um valor simbólico de R$ 1, como mostrou o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

A avaliação no mercado financeiro é de que a operação do Banco Master, com depósitos de R$ 50 bilhões que hoje correspondem a 50% da liquidez do FGC, como mostrou o Valor Econômico, é uma bomba-relógio no balanço de um eventual comprador.

Nos últimos dias, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, esteve com André Esteves, do BTG Pactual, e com Paulo Henrique Costa, do BRB, para discutir a compra.

O presidente do BRB disse à colunista Mariana Barbosa, do UOL, que o banco estatal vai ficar apenas com os bons ativos do Banco Master. Fontes do mercado, porém, ainda não estão seguras de que é possível fazer essa separação do joio e do trigo.
A coluna procurou Ciro Nogueira e Antônio Rueda para comentar e aguarda um posicionamento.

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