Marina Silva classificou como “disputa entre civilização e barbárie” os ataques machistas sofridos por ela em uma sessão no Congresso Nacional. Em entrevista ao UOL News hoje, a ministra do Meio Ambiente disse que o episódio foi uma “violência política de gênero”.
Ontem, Marina esteve diante da bancada ruralista para dar explicações sobre questões ambientais, após ser convocada pela Comissão de Agricultura da Câmara. A sessão ficou marcada pelo clima tenso e pelo estilo agressivo de alguns deputados ao se dirigirem à ministra.
Infelizmente, uma parte da humanidade está indo pelo caminho da barbárie. Quem defende a civilização, independentemente de ser progressista ou conservador, tem que se posicionar do lado daquilo que mantém valores que são fundamentais, como justiça, liberdade, solidariedade e amor pela vida.
Quem tem amor, espalha amor; quem não tem, espalha ódio. É não dar palanque [a quem espalha ódio]. Eles celebram toda vez em que entram nos espaços da civilização, mesmo que para um efeito pedagógico ou ilustrativo, e dizem que estão furando a bolha porque estão conseguindo falar para eles mesmos.
Eu jamais iria para o debate com aquelas pessoas por saber que não existe debate com elas, mas fui convocada. Quanto mais temos política pública para proteger o meio ambiente, mais eles ficam violentos e inconformados. Marina Silva, ministra do Meio Ambiente
A ministra frisou que, mesmo diante da postura intimidatória exibida por parte dos parlamentares, ela não se intimidará.
O que aconteceu ontem na Câmara dos Deputados foi uma violência política de gênero. Isso é feito contra mim e várias deputadas e senadoras. Eles escolhem alvos e alguns bodes expiatórios. Com esse tipo de postura, acham que nos intimidarão e nos farão encolher.
Muito pelo contrário; isso nos faz ter mais clareza da nossa capacidade de fazer esse enfrentamento e o compromisso de não permitir que ninguém queira calar nossa voz, ou nos atribuir defeitos ou erros que não cometemos ou praticamos.
Sabia que seria uma sessão difícil. Durou praticamente sete horas. Alguns parlamentares fizeram debate e outros partiram para uma estratégia de destruição e desqualificação. Eles me chamaram para prestar alguns esclarecimentos e eu dei todos. Aí é que se cria o desespero.
Você desmonta os argumentos e eles partem para o terreno que conhecem, que é o de repetir a mentira à exaustão ou de fazer agressões violentas e mentirosas. Marina Silva, ministra do Meio Ambiente
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